Com disputas internas ainda sem resolução e incertezas sobre o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, o União Brasil tem se distanciado da formação de uma “superfederação” com PP e Republicanos. A proposta, que buscava criar a maior força política do Congresso, enfrenta resistências crescentes e dificuldades de articulação, além de embates com lideranças estaduais e divergências ideológicas dentro do próprio partido.

Apesar de figuras de destaque como Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e ACM Neto, secretário-geral da sigla, serem entusiastas da federação, o ceticismo tem aumentado entre dirigentes das legendas envolvidas. No Republicanos, as ressalvas à proposta já eram notadas há mais tempo, e no União Brasil, líderes estaduais questionam a viabilidade do arranjo.

As divergências giram em torno da distribuição de poder nas unidades federativas, especialmente em estados estratégicos como Rio de Janeiro e São Paulo. Com três partidos de tamanho semelhante, decidir quem comandaria a federação em cada localidade é visto como um desafio considerável.

Antônio Rueda reconhece os obstáculos, mas acredita que são superáveis com uma governança estruturada:

“Vai ter discussão porque haverá três partidos que vão querer, por óbvio, comandar em cada estado. Mas implementamos uma governança muito forte para garantir relevância nacional e estadual a todos”, afirmou o dirigente.

Nos bastidores, a ideia da superfederação continua sendo discutida. Recentemente, Rueda reuniu-se com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, e com Hugo Motta (Republicanos-PB), líder do Republicanos e provável novo presidente da Câmara, para avançar nas conversas.

Uma nova rodada de negociações está prevista para fevereiro, após o retorno dos trabalhos legislativos. Entretanto, no União Brasil, há questões internas que precisam ser resolvidas antes que o partido avance na federação.

Um dos principais pontos de tensão no União Brasil é a indefinição sobre o posicionamento do partido nas eleições de 2026. De um lado, membros da sigla ocupam cargos importantes no governo Lula: Celso Sabino (Turismo), Juscelino Filho (Comunicações) e Waldez Goes (Integração Nacional) são ministros indicados pela bancada na Câmara e pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), favorito para presidir o Senado. Por outro lado, a cúpula nacional do partido é próxima do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que já tem uma pré-candidatura presidencial marcada para março.

Essa divisão também afeta a escolha da liderança do União Brasil na Câmara para 2025, que deveria ter sido definida em dezembro, mas foi adiada para fevereiro devido às discordâncias internas.

O PSDB, que busca uma aliança maior para se manter relevante, observa com ceticismo a possibilidade de integrar uma federação que inclua o União Brasil. Marconi Perillo, presidente tucano e adversário político de Ronaldo Caiado, rejeita essa possibilidade:

“É mais favorável buscar outros partidos. Com Caiado, impossível”, declarou Perillo.

As federações eleitorais exigem compromissos nos âmbitos municipal, estadual e nacional, além de obrigar os partidos a atuarem como uma única entidade no Congresso por, no mínimo, quatro anos. Para legendas menores, como o PSDB, essas alianças são uma forma de driblar a cláusula de desempenho, que limita o acesso a recursos públicos e tempo de propaganda eleitoral.

Embora União Brasil, PP e Republicanos não enfrentem o risco de descumprir a cláusula de desempenho, a federação é vista como uma oportunidade de fortalecer chapas eleitorais e ampliar o poder de negociação no Congresso.

Caso a federação não avance, a alternativa seria formar blocos parlamentares na Câmara e no Senado. Esses blocos não exigiriam compromissos eleitorais, mas ainda assim aumentariam a capacidade de barganha por cargos e influência legislativa.

Se concretizada, uma federação entre União Brasil, PP e Republicanos poderia reunir 157 deputados federais atualmente. Defensores da ideia estimam que o grupo poderia superar 200 parlamentares com o fortalecimento da aliança.

Com divisões internas não resolvidas e interesses conflitantes, o avanço da superfederação ainda parece distante. No entanto, a continuidade das negociações em fevereiro poderá redefinir o rumo das articulações entre União Brasil, PP e Republicanos, bem como o papel do PSDB na busca por alianças.

O ano de 2025 será decisivo para que os partidos alinhem suas estratégias de olho nas eleições de 2026, em meio às disputas pelo protagonismo político no cenário nacional e à necessidade de consolidar posições frente à base do governo e à oposição.

Foto: Antonio Molina

 

 


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