O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início à primeira reunião ministerial de 2025 nesta segunda-feira, com declarações enfáticas sobre a necessidade de entrega de resultados e melhor alinhamento na comunicação do governo. Segundo Lula, as eleições de 2026 já começaram para os adversários, e é essencial que sua equipe mostre trabalho efetivo. Reconhecendo que o governo ainda não cumpriu plenamente as promessas de campanha, o presidente cobrou uma atuação mais assertiva e disciplinada nos próximos meses.
“A entrega que fizemos ao povo ainda não é a que prometemos em 2022. Muitas das sementes que plantamos ainda não germinaram. Não podemos inventar mais nada que crie confusão. Não podemos falhar, e não temos o direito de falhar. Quero que vocês reflitam, pois vou chamar muitos individualmente para conversar”, afirmou Lula.
O discurso do presidente foi marcado por críticas à condução da crise do Pix, desencadeada por uma Instrução Normativa da Receita Federal que ampliava a fiscalização de transações financeiras, gerando uma enxurrada de fake news sobre a taxação do meio de pagamento. A medida trouxe desgaste significativo ao governo e acabou sendo revogada.
“Daqui para frente, nenhum ministro poderá emitir uma portaria que cause confusão sem antes passar pela Presidência, via Casa Civil. Às vezes pensamos que é algo pequeno, mas pode acabar gerando um grande problema para o governo”, reforçou Lula.
A crise evidenciou a necessidade de uma comunicação mais eficaz. A recém-empossada Secretaria de Comunicação Social (Secom), liderada pelo publicitário Sidônio Palmeira, terá a missão de alinhar a mensagem do governo e combater a desinformação. Sidônio defendeu que o governo adote um tom unificado, com estratégias integradas entre os ministérios.
“Não adianta cada um atirar para um lado. Precisamos de uma comunicação coesa, e vamos trabalhar com as assessorias dos ministérios para isso”, declarou Sidônio.
A abordagem busca evitar que episódios como o do Pix se repitam, especialmente em um momento em que a oposição já está em campanha para as eleições de 2026.
Lula também expressou preocupação com o alto custo dos alimentos, destacando que é responsabilidade do governo reduzir os preços para garantir dignidade aos trabalhadores.
“Agora, nossa missão é reconstrução, união e alimentos baratos na mesa do trabalhador. Todo ministro sabe que os alimentos estão caros, e é nossa tarefa resolver isso”, cobrou o presidente.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi o primeiro a discursar após Lula, apresentando propostas para enfrentar a inflação e impulsionar a economia. Contudo, a postura do presidente em relação à crise do Pix foi interpretada como uma crítica direta à pasta de Haddad, que supervisiona a Receita Federal.
Com a eleição de 2026 no horizonte, Lula fez um apelo aos ministros de partidos do centro e centro-direita, como PP e Republicanos, para que busquem consolidar o apoio dessas siglas à sua reeleição.
“Temos muitos partidos alinhados conosco, e quero que continuem ao nosso lado. Mas é importante que vocês conversem com suas legendas e confirmem se elas querem permanecer no nosso projeto”, afirmou Lula.
Desde o início do mandato, o presidente realizou sete mudanças ministeriais, muitas delas para fortalecer a base aliada no Congresso e atrair partidos para sua órbita política. Segundo articuladores do Palácio do Planalto, novas trocas podem ocorrer em 2025, visando ampliar o apoio à gestão e fortalecer a candidatura de Lula em 2026. Líderes de partidos do Centrão, contudo, ainda aguardam convites para conversas mais diretas com o presidente sobre a ocupação de espaços estratégicos no governo.
Lula também mencionou a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, desejando uma gestão estável e pacífica, ao mesmo tempo que reforçou a importância de relações harmônicas com outros países, como Venezuela, Rússia, China e Índia.
“Não queremos briga com ninguém. Queremos paz e harmonia. Torço para que Trump tenha uma gestão produtiva e que os americanos continuem sendo parceiros históricos do Brasil”, afirmou o presidente.
Trump assume o cargo nesta segunda-feira, em uma cerimônia que contará com a presença de diversas autoridades brasileiras, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A reformulação da comunicação do governo foi destacada como prioridade para enfrentar os desafios dos próximos dois anos. Sidônio Palmeira defendeu que crises como a do Pix poderiam ter sido mitigadas com uma resposta mais rápida e coordenada, evitando a disseminação de desinformação.
“Com o impacto das fake news, percebemos que uma campanha publicitária não seria suficiente para reverter os danos. Precisamos estar preparados para agir imediatamente quando situações como essa surgirem“, explicou o publicitário.
Lula encerrou sua fala reforçando a importância de um governo que entregue resultados concretos e mantenha o diálogo com a população.
“Nosso compromisso é com o povo brasileiro. Precisamos mostrar trabalho e garantir que as ações do governo cheguem a quem mais precisa. Vamos trabalhar como um time, com foco e responsabilidade”, concluiu o presidente.
A reunião, realizada na Granja do Torto, em Brasília, marca o início de um ano decisivo para o governo, com a expectativa de avanços concretos nas políticas públicas e preparação estratégica para as eleições de 2026.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

