O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, reuniu-se na manhã de quinta-feira com o ministro do Turismo, Celso Sabino, para comunicar a decisão da legenda: ele teria vinte e quatro horas para deixar o cargo ou se desfiliar do partido. Poucas horas depois, o União Brasil anunciou oficialmente o movimento de desembarque do governo, antecipando uma decisão que estava prevista para o fim do mês.
Segundo integrantes da cúpula do partido, Rueda deixou claro que Sabino deveria se afastar do ministério. Fontes ligadas à direção nacional afirmam que Sabino ainda não conversou com o Palácio do Planalto para definir sua posição, mas, durante o encontro com Rueda, sinalizou que seguiria a orientação do partido. O ministro não se pronunciou sobre o caso. A confirmação da saída só deve ocorrer após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda sem data marcada.
Atualmente, Sabino é o único ministro filiado ao União Brasil. Já os ministros Waldez Góes (Integração Nacional) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações), ambos indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não serão afetados pela decisão. O argumento do partido é que não pode agir sobre nomes que não são filiados.
A crise entre o governo e o União Brasil não é recente. Em abril, o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União-MA), deixou o cargo após suspeitas de desvios de emendas, que ele nega. A escolha de seu substituto gerou tensão: Lula anunciou Pedro Lucas (MA), líder do União na Câmara, mas a direção do partido impediu que ele aceitasse o cargo. Em agosto, durante uma reunião ministerial, Lula chegou a afirmar que não gostava pessoalmente de Rueda, expondo a deterioração da relação.
A decisão de entregar os cargos ocorreu pouco depois de reportagens do UOL e do ICL associarem Rueda ao crime organizado de São Paulo. Segundo as publicações, aeronaves ligadas ao dirigente teriam sido usadas pelo PCC. O União Brasil interpreta os vazamentos como manobra do governo, já que envolvem investigações da Polícia Federal.
Rueda negou ser proprietário de aviões e repudiou “qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas em atividades ilícitas”. Em nota oficial, o União Brasil manifestou solidariedade ao presidente da legenda.
Com a terceira maior bancada da Câmara, composta por cinquenta e nove deputados e sete senadores, o União Brasil já anunciou que formará uma federação com o PP, consolidando-se como uma força decisiva para a governabilidade do governo Lula.
Foto: Brenno Carvalho

