A confirmação de Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) como novo ministro das Comunicações do governo Lula acendeu tensões internas na bancada do União Brasil na Câmara dos Deputados. A possível substituição de Pedro Lucas por Juscelino Filho, ex-ministro da pasta, como novo líder do partido na Casa, tem enfrentado forte resistência entre parlamentares da legenda, que veem a indicação como “constrangedora” diante da recente denúncia formal contra Juscelino apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Deputados avaliam que, além de reacender disputas internas entre alas alinhadas ao governo e à oposição, a escolha de Juscelino para a liderança exporia ainda mais o partido e aprofundaria o racha entre os grupos da legenda. “Vai ser uma confusão”, resumiu um parlamentar. A expressão “Desunião Brasil” passou a circular entre os insatisfeitos.

O desgaste da imagem de Juscelino Filho, que foi denunciado no âmbito da Operação Overclean por suposto envolvimento em esquemas de desvio de recursos públicos, é um dos principais argumentos contrários à sua indicação. “Como ele vai atuar no Colégio de Líderes? Vai defender o governo ou a oposição?”, questionou um deputado. A escolha, segundo avaliação interna, geraria desconfiança entre os próprios integrantes da bancada.

Há também quem considere a eventual indicação como um gesto de “acolhimento político” ao ex-ministro, que deverá concentrar esforços em sua defesa perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse cenário, parlamentares acreditam que a nomeação à liderança criaria um desgaste desnecessário e fragilizaria ainda mais a imagem do partido.

“Acabou de ser denunciado, é um péssimo sinal. Isso só expõe mais a bancada”, afirmou um deputado, que lembrou o envolvimento de outros nomes do partido em escândalos, como o do empresário Marcos Moura — o “Rei do Lixo” — e o secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, também mencionados na Operação Overclean.

Outro ponto de insatisfação entre os deputados é a possível “imposição” do nome de Juscelino por parte da cúpula nacional da legenda. Muitos defendem que a escolha do novo líder seja feita por votação interna, e não por acordo fechado nos bastidores. “Ninguém quer prato pronto”, disse um parlamentar, acrescentando que até mesmo deputados próximos de Juscelino reconhecem que ele teria dificuldade em reunir os votos necessários.

A disputa pelo comando da bancada, segundo relatos, já está em curso nos bastidores, com diferentes nomes buscando apoio. “Se abrir essa vaga, vai ter um rombo enorme embaixo”, avaliou um deputado, em referência à intensa disputa interna que se desenha caso a liderança de Pedro Lucas seja colocada oficialmente em aberto.

Há ainda parlamentares que sugerem que o melhor cenário seria o retorno de Juscelino Filho à Câmara como deputado, mas sem ocupar qualquer cargo de liderança. Nesse caso, eventuais posicionamentos mais simpáticos ao governo ficariam restritos a sua atuação individual, sem comprometer a linha política da bancada como um todo.

Por fim, alguns integrantes do União Brasil avaliam que a ida de Pedro Lucas para o governo federal não foi uma boa jogada para o partido. Segundo eles, a pasta das Comunicações é considerada “pouco estratégica” e sem grande autonomia, enquanto Pedro Lucas vinha desempenhando um papel destacado na articulação da bancada na Câmara.

Foto: Wilton Junior


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