As unidades de conservação localizadas na Amazônia registraram, em 2025, o menor nível de desmatamento dos últimos onze anos, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, o Imazon. O monitoramento é realizado por meio de imagens de satélite desde 2008 e acompanhada de forma contínua a dinâmica da devastação florestal na região.

De acordo com o levantamento, entre janeiro e dezembro de 2025, os territórios oficialmente protegidos tiveram 166 quilômetros quadrados de floresta derrubada. O número representa uma redução de 38% em relação a 2024. A queda é ainda mais expressiva quando comparada a 2022, ano em que o desmatamento nas unidades de conservação atingiu 1.214 quilômetros quadrados, a maior marca desde 2012. Na comparação entre esses dois períodos, a redução chega a 86%.

Quando analisado o desmatamento total da Amazônia em 2025, que somou 2.741 quilômetros quadrados, as unidades de conservação responderam por apenas 6% da área devastada. Desse total, 4% ocorreram em unidades de conservação estaduais, equivalentes a 109 quilômetros quadrados, e 2% em áreas federais, com 57 quilômetros quadrados desmatados. Os dados reforçam o papel desses territórios como importantes instrumentos de contenção da perda florestal.

O estudo do Imazon também aponta resultados positivos nas Terras Indígenas. Em 2025, essas áreas registraram o menor desmatamento dos últimos oito anos. Entre janeiro e dezembro, foram derrubados 44 quilômetros quadrados de floresta em territórios indígenas, uma redução de 20% em relação ao ano anterior. Em comparação com 2019, quando o desmatamento chegou a 369 quilômetros quadrados, o acumulado de 2025 foi 88% menor.

Com isso, apenas 2% de todo o desmatamento registrado na Amazônia em 2025 ocorreu dentro de Terras Indígenas. Para o pesquisador Carlos Souza Jr., do Imazon, os números reforçam a importância de destinar áreas ainda sem uso definido para a criação de novas unidades de conservação e territórios indígenas, que historicamente funcionam como barreiras efetivas contra o avanço da destruição da floresta.

Apesar do cenário positivo no acumulado anual, o instituto alerta para um aumento pontual do desmatamento em dezembro. No último mês de 2025, a área devastada em toda a Amazônia passou de 85 quilômetros quadrados, em dezembro de 2024, para 91 quilômetros quadrados, um crescimento de 7%. Ainda assim, o acumulado de janeiro a dezembro fechou com redução de 27%, marcando o terceiro ano consecutivo de queda do desmatamento na região.

Segundo a pesquisadora Larissa Amorim, do Imazon, os resultados indicam que o Brasil avança na direção da meta de desmatamento zero até 2030. Ela destaca que a redução da devastação é fundamental para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, garantir maior equilíbrio climático, preservar a biodiversidade e manter o regime de chuvas, aspecto considerado estratégico também para o agronegócio.

O levantamento mostra ainda que a degradação florestal causada por exploração madeireira e queimadas teve queda expressiva. Em dezembro, esse tipo de dano caiu 91%, passando de 628 quilômetros quadrados em 2024 para 59 quilômetros quadrados em 2025. No acumulado do ano, a área degradada recuou 88%, de 36.379 quilômetros quadrados para 4.419 quilômetros quadrados, o menor patamar desde 2022, consolidando uma tendência de recuperação gradual da floresta amazônica.

Fonte: O Globo

Foto: Mauro Pimentel


Avatar

administrator