As vendas do comércio brasileiro registraram crescimento em março, impulsionadas principalmente pelo desempenho do setor de combustíveis. De acordo com o Índice do Varejo Stone, o volume de vendas avançou 5,5% na comparação mensal e 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o setor apresentou alta de 2,4% frente ao mesmo intervalo de 2025.

O resultado indica uma recuperação parcial após a retração observada em fevereiro, embora o cenário ainda seja considerado desafiador. A combinação entre mercado de trabalho aquecido e crescimento da renda tem contribuído para sustentar o consumo, mas fatores como o alto nível de endividamento das famílias e o custo elevado do crédito continuam limitando uma retomada mais consistente.

Na análise por segmentos, os setores menos dependentes de financiamento apresentaram desempenho mais robusto. No recorte mensal, todas as oito categorias acompanhadas pelo indicador registraram crescimento. O destaque ficou para combustíveis e lubrificantes, com avanço de 13,7%, seguido por livros, jornais e papelaria, com 9,2%, e móveis e eletrodomésticos, com 5,2%.

Também apresentaram resultados positivos os segmentos de material de construção, outros artigos de uso pessoal e doméstico, vestuário, produtos farmacêuticos e supermercados, ainda que com variações mais moderadas. O crescimento generalizado reforça a percepção de uma melhora pontual no consumo ao longo do mês.

Na comparação anual, sete dos oito setores avaliados registraram expansão. Combustíveis e lubrificantes novamente lideraram, com alta de 10,6%, seguidos por material de construção e artigos farmacêuticos. A única queda foi observada no segmento de livros, jornais, revistas e papelaria, que apresentou retração de 2,2%.

O desempenho regional também mostrou expansão disseminada. Todos os estados registraram crescimento na comparação anual, com destaque para Sergipe, Pernambuco e Pará, que apresentaram as maiores altas. No Sudeste, o Rio de Janeiro teve avanço relevante, enquanto Minas Gerais e São Paulo registraram crescimento mais moderado.

Apesar do cenário positivo no mês, a avaliação é de que a recuperação do varejo ainda não está consolidada. A recente redução da taxa de juros é vista como um fator que pode estimular o consumo ao longo do ano, mas seus efeitos ainda não foram plenamente percebidos.

A tendência, segundo analistas, é de que o setor continue apresentando resultados heterogêneos nos próximos meses. A evolução dependerá principalmente das condições de crédito, da renda das famílias e da confiança do consumidor, elementos fundamentais para sustentar uma recuperação mais consistente do comércio varejista.

Foto: Divulgação


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