O líder do prefeito na Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Bruno Miranda (PDT), mantém cautela ao tratar da sucessão da presidência da Casa. Sempre que questionado, reforça que a prioridade é encerrar a atual legislatura. “Só vou conversar sobre a Mesa Diretora depois do dia 23”, afirmou Miranda durante a cerimônia de diplomação dos candidatos eleitos, na última quarta-feira. A data marca a última sessão plenária de 2024, quando ainda serão analisados vetos de interesse da prefeitura.

O cuidado da base do prefeito Fuad Noman (PSD) em adiar as discussões sobre a presidência da Câmara é compreensível diante do que ocorreu em 2022. Naquele ano, o vereador Gabriel Azevedo, à época sem partido e hoje no MDB, venceu a eleição para a presidência, derrotando o candidato apoiado por Fuad, o Professor Claudinei Dulim (Avante). O resultado tornou a aprovação de projetos do Executivo mais difícil durante grande parte do mandato, situação que só se reverteu após a reeleição de Fuad em outubro de 2024. A vitória no segundo turno consolidou a força política do prefeito, levando a Câmara a aprovar projetos importantes, como empréstimos para obras e a reforma administrativa.

Enquanto a base de Fuad adota uma postura de espera, outro grupo já se movimenta para a disputa. Conhecido como “Família Aro”, ligado ao secretário estadual de Casa Civil, Marcelo Aro (PP), o bloco conta os dias para a eleição. “Estamos trabalhando muito para eleger Juliano Lopes. Ele será importante para a Câmara, e todos estamos empenhados”, afirmou o vereador Claudio do Mundo Novo (PL), integrante do grupo, que reúne oito dos 41 parlamentares.

Juliano Lopes (Podemos), único candidato oficial até o momento, foi anunciado pelo grupo logo após a reeleição de Fuad. Como forma de pressionar, vereadores da Família Aro publicaram fotos nas redes sociais declarando apoio ao candidato, mas o prefeito mantém silêncio. Fuad, que já enfrentou dificuldades com a presidência da Câmara no passado, delegou a articulação política para o vice-prefeito eleito, Álvaro Damião (União), que garantiu que o governo não se envolverá diretamente na disputa.

Apesar de atualmente votar a favor dos interesses da prefeitura, a Família Aro não ocupa mais cargos na administração de Fuad. Essa dinâmica, somada às articulações nos bastidores, indica que a eleição para a presidência da Câmara será crucial para definir a governabilidade do prefeito em seu novo mandato. Enquanto isso, o grupo aliado ao Executivo prefere esperar o momento oportuno para iniciar as conversas, buscando evitar uma nova derrota estratégica como a de 2022.

 

Foto: Abraão Bruck/CMBH