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O real foi uma das moedas que mais se valorizaram em relação ao dólar em 2022. Mesmo assim, a moeda norte-americana segue rondando os R$ 5, com o euro ainda mais caro. Nesse cenário, piorado por uma crise econômica no Brasil, viajar para os Estados Unidos ou a Europa continua complicado.

Uma alternativa, porém, mora ao lado dos brasileiros, literalmente. Tradicionalmente já valorizado, o real ganhou ainda mais fôlego em relação às moedas latino-americanas, tornando as viagens para esses países mais acessíveis.

Segundo especialistas, é possível visitar pontos turísticos famosos e conhecer melhor o continente gastando menos, mas uma moeda valorizada não é permissão para gastar sem planejamento.

Valor do real

Um levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating a pedido do CNN Brasil Business aponta que cinco das onze moedas sul-americanas se valorizaram em relação ao dólar em 2022.

A maior valorização é do real, que subiu 10,1% até o dia 16 de maio, sendo seguido pelo peso uruguaio (7,9%).

Chile, Colômbia, Venezuela, Suriname e Argentina tiveram desvalorização, com o peso argentino liderando as perdas (-12,8%).

Já quando a comparação tem o real como referencial, o cenário é diferente. Todas as outras dez moedas se desvalorizaram, reforçando cotações favoráveis para brasileiros interessados em viajar para os países.

O peso argentino foi o que mais caiu, 26,5%. Atualmente 1 peso equivale a R$ 0,042 (invertendo, R$ 1 equivale a cerca de 24 pesos). A moeda menos desvalorizada em relação ao real é o novo sol peruano, cotado atualmente em R$ 1,339, ou seja, R$ 1 equivale a cerca de 0,74 novo sol.

Cristina Helena Pinto de Mello, professora de economia comportamental da ESPM, afirma que a maior parte dos países latino-americanos possuem moedas desvalorizadas em relação ao real.

Isso significa que a moeda brasileira vale mais, e que é possível convertê-la para valores maiores em outros países.

Real, dólar e viagens

Mariana Aldrigui, professora da EACH-USP, avalia que, apesar de o período de alta do real em relação ao dólar no primeiro trimestre ter sido positivo, o dólar só ficou abaixo dos R$ 5 por cerca de duas semanas, um período curto.

“Para quem conseguiu fazer compras em dólar ou comprar a moeda nesse período valeu a pena, se não foi só planejar para viagens a partir dessa cotação”, diz.

Com o dólar voltando a rondar os R$ 5, Aldrigui afirma que ainda é mais vantajoso olhar para países próximos com moedas desvalorizadas. Ela destaca o Chile e a Argentina, e diz que este último costuma ter preços atraentes para compor pacotes de viagens.

Ela ressalta que a moeda valorizada não implica em voos mais baratos, pelo contrário, mas que ajuda a formar pacotes vantajosos pensando em hospedagem e gastos com alimentação, presentes e passeios.

Indo além da América do Sul, Aldrigui cita os casos do México e do Egito como dois países em que o real está em uma posição interessante e que investiram nos últimos anos em promoções para atrair brasileiros.

Outra opção é a África do Sul, que segundo a professora oferece preços interessantes, mas é mais cara devido à ausência de voos diretos, demandando um cuidado maior ao montar o orçamento de viagem.

Professor de finanças da FGV-EAESP Fabio Gallo afirma que, além do euro e do dólar ainda estarem caros em relação ao real, a inflação nesses locais também vem avançando, o que torna os custos ainda maiores.

“Mesmo que encontre locais com preços que parecem baixos, ao converter fica caro. É difícil para o brasileiro, mesmo que consiga pagar uma passagem com os preços nas alturas, ter dinheiro para sustentar o resto do que tem que sustentar”, diz.

Nesse sentido, ele também recomenda viagens para os vizinhos do Brasil, além de destinos internos no país. Apesar de algumas regiões estarem mais caras e populares, caso do litoral nordestino, Gallo avalia que é possível encontrar localidades menos procuradas, e mais baratas.

Mello, da ESPM, afirma que a alta de preços na Europa torna as quedas recentes no euro pouco vantajosas para os brasileiros, e as viagens ainda estão caras. Já no caso dos Estados Unidos, ela recomenda pesquisar pacotes com antecedência, já que ainda é possível encontrar promoções que compensam o gasto em dólar.

Apesar de também enfrentar a inflação, o desempenho da América do Sul tem sido melhor, o que faz com que “viajar para a América Latina seja comparativamente mais barato do que era”.

Adrigui afirma que o próprio aumento de popularidade dos destinos sulamericanos ajuda as pessoas na hora de escolher a próxima viagem.

“É possível fazer uma combinação para aproveitar o clima, o inverno, gastronomia, passeios, possibilidade agora tem possibilidade até de esquiar em algumas regiões. O mercado de turismo brasileiro já tem repertório grande para orientar os clientes de quais viagens valem mais à pena, com opções interessantes”.

Cuidados na viagem

Gallo, da FGV, ressaltada que, independentemente do país escolhido e a moeda dele, o essencial é sempre planejar a viagem.

“Não pode embarcar pensando só que vai gastar, sem pensar como. Precisa seguir condutas básicas: planejar o que vai gastar de manhã, tarde e noite em cada dia da viagem. Onde vai estar em cada período. Não precisa ser algo tão rígido, mas ter uma ideia. Planeja valores que quer gastar, se der para comprar viagens, passeios antes, é melhor”, aconselha.

Outra recomendação é levar uma boa quantidade do dinheiro que se pretende gastar já na moeda local, mas também um pouco em dólar, já que muitos países ainda têm mercados turísticos dolarizados.

A importância do dinheiro físico é evitar usar o cartão de crédito, reduzindo a ameaça de gastos maiores e surpresas na hora de pagar as tarifas devido às conversões dependerem da cotação em outros dias, em especial em um momento de volatilidade como o atual.

Mariana Aldrigui diz que as pessoas passam muito tem planejando as férias, mas não o orçamento.

“A viagem é transporte, hospedagem e alimentação, mas vai querer passeios, comprar alguma coisa, precisa ter clareza do orçamento e tentar encaixar a viagem nas folgas do orçamento, para não ficar refém desses momentos que foram muito bons mas fica pagando depois”.

Ela observa que os preços das passagens aéreas estão flutuando devido às altas nos combustíveis, que acompanham o petróleo. Nesse caso, a recomendação é pesquisar e comprar com antecedência, já que os preços costumam ser menores.

Se o termo do risco cambial é muito grande, o turismo interno ganha força, e a professora afirma que é possível inclusive achar bons destinos acessíveis de carro ou ônibus, em viagens mais baratas.

Mesmo assim, ela alerta que sempre é preciso desconfiar de preços extremamente baratos, fora da média, em especial quando a data da viagem está próxima.

Cristina de Mello ressalta ainda que a viagem para países em que o real está valorizado possui uma vantagem comportamental: a forma como os preços são encarados.

“Quando viaja para a Europa ou EUA, os preços são expressos com um ou dois dígitos, e nossa cabeça registra rapidamente como barato algo que é caro se comparar com o preço no Brasil”, diz.

Já na América Latina, os preços costumam ser expressos em três dígitos, e, mesmo sendo mais baratos, passam a impressão de serem caros, o que indiretamente ajuda a gastar menos.

“Tem que tomar cuidado, precisa converter sim para evitar escolhas que se arrependa depois”, diz.

A professora afirma também que é preciso tomar cuidado com os preços e ficar atento a boas oportunidades, já que o momento é de preços desalinhados.

“Pode achar passagem mais cara para um país vizinho que pra Europa agora, mas para daqui a 1 ano vai estar bem mais barata. Não tem regra, a dica é pesquisar sempre com antecedência, porque quem está vendendo tem incerteza sobre o futuro, e coloca preços mais atrativos”.


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