O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema afirmou nesta terça-feira que não descarta uma possível aliança política com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado visando a disputa presidencial de 2026. A declaração ocorreu durante participação de Zema em evento com investidores realizado em São Paulo.
O ex-governador mineiro afirmou que as definições sobre eventuais composições políticas deverão ocorrer mais próximo do prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral para registro das candidaturas, marcado para 15 de agosto do próximo ano.
Segundo Zema, o cenário político ainda poderá sofrer mudanças até a formalização das chapas presidenciais. Apesar disso, ele indicou que pretende manter sua pré-candidatura até o fim das negociações políticas.
“Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite”, declarou o ex-governador durante o encontro com investidores.
Zema também comentou a possibilidade de integrar eventual chapa encabeçada por Caiado, mas respondeu em tom de brincadeira ao ser questionado sobre ocupar a posição de vice-presidente.
“Perguntaram se eu aceitaria ser vice. Eu questionei se não poderia ser o contrário”, afirmou.
Durante o evento, o ex-governador destacou a relação próxima que mantém com Ronaldo Caiado e ressaltou afinidades políticas e econômicas entre Minas Gerais e Goiás.
Segundo ele, os dois estados possuem características semelhantes e compartilharam experiências administrativas durante a atuação conjunta em consórcio formado por governadores.
“Goiás e Minas são quase estados gêmeos”, afirmou Zema.
As declarações acontecem em meio ao desgaste recente entre o ex-governador mineiro e integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Os atritos aumentaram após críticas feitas por Zema ao senador Flávio Bolsonaro em razão das revelações envolvendo negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Em declarações recentes, Zema afirmou que uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro poderia favorecer a esquerda nas eleições nacionais.
As críticas provocaram reações públicas de aliados da família Bolsonaro nas redes sociais. O ex-vereador Carlos Bolsonaro afirmou que Zema teria agido com “mais uma facada” contra o grupo político conservador.
Carlos Bolsonaro também criticou integrantes do partido Novo e afirmou que o posicionamento do ex-governador mineiro poderia enfraquecer alianças políticas da direita brasileira.
Já o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou mensagem nas redes sociais chamando Zema de “papel higiênico da esquerda”.
Na última pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, Romeu Zema apareceu com 3% das intenções de voto em eventual disputa presidencial. Ronaldo Caiado registrou 4%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou o levantamento com 40%.
Flávio Bolsonaro apareceu com 31% das intenções de voto no mesmo cenário pesquisado pelo instituto.
Antes do agravamento das divergências recentes, integrantes do Partido Liberal chegaram a cogitar Romeu Zema como possível candidato a vice-presidente na chapa ligada ao bolsonarismo.
As declarações desta terça-feira reforçam a movimentação de lideranças conservadoras em busca de alternativas e possíveis alianças para a disputa presidencial de 2026, em meio à fragmentação do campo político da direita brasileira.
Foto: TV Globo

