O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou duramente a operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira (18), que teve como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em uma publicação nas redes sociais, Zema classificou a ação como “mais um ato absurdo de perseguição política”. Segundo ele, as medidas impostas ao ex-mandatário, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de usar redes sociais ou manter contato com diplomatas e investigados, seriam fruto de “um processo cheio de abusos e ilegalidades”.
“Censuraram suas redes, proibiram de falar com o filho e obrigaram a usar tornozeleira eletrônica”, protestou Zema. Até o fim da manhã, ele era o único governador alinhado à direita e potencial pré-candidato à presidência em 2026 a se manifestar publicamente em defesa de Bolsonaro.
A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do ex-presidente em Brasília e em seu escritório na sede do PL. Segundo a Polícia Federal, Bolsonaro é investigado por coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataque à soberania nacional. As autoridades também apontaram risco de fuga do país. Durante a operação, foram apreendidos ao menos quatorze mil dólares e oito mil reais em espécie na casa do ex-presidente.
Aliados do ex-mandatário no Congresso Nacional reagiram de forma semelhante. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou: “Colocaram tornozeleira eletrônica em Bolsonaro, mas não há crime, não há condenação, não há prova. Só há um delito: enfrentar o sistema”. Para ele, a ação reflete “uma tentativa desesperada de calar quem representa milhões”.
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos, disse que Moraes “dobrou a aposta” após a manifestação de apoio enviada pelo ex-presidente americano Donald Trump. Em vídeo divulgado na véspera, Bolsonaro agradeceu Trump pelo gesto e afirmou estar sendo acusado por “um crime inexistente”.
No Senado, o parlamentar Jorge Seif (PL-SC) ecoou críticas ao ministro do STF e responsabilizou o Partido dos Trabalhadores (PT) pela ação. “Visa proibi-lo de usar redes sociais, acessar embaixadas, usar tornozeleira e outros absurdos”, afirmou. “Quando Trump diz que Bolsonaro é perseguido, não exagera”, completou.
Também a deputada Caroline de Toni (PL-SC) classificou como “inacreditável” a operação da PF. Para ela, “a perseguição fica ainda mais implacável contra Bolsonaro e sua família”. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) foi na mesma linha: “Ontem um pronunciamento de Lula mostrando que ele não irá retroceder em seu plano de tornar o país um pária internacional; hoje, ‘coincidentemente’, mais uma demonstração de força contra o líder da oposição”.
O Partido Liberal se manifestou oficialmente em defesa do ex-presidente. Em postagem nas redes sociais, o partido compartilhou uma imagem de Bolsonaro acompanhada de um trecho do Hino Nacional e a frase: “Nosso capitão @jairmessiasbolsonaro nunca fugiu da luta. Hoje, mais do que nunca, mostramos que ele não está sozinho”.
Na manhã desta sexta, por volta das 9h35, Bolsonaro compareceu à Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal para instalação da tornozeleira eletrônica. Além da medida, ele está proibido de manter contato com outros investigados, entre eles Eduardo Bolsonaro, de se aproximar de autoridades estrangeiras e embaixadas, e deverá cumprir recolhimento domiciliar noturno das 19h às 7h e nos finais de semana.
Foto: Elizabete Guimarães/Divulgação/ALMG

