O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quarta-feira (5), em entrevista à “Folha de São Paulo”, que a ditadura militar é uma “questão de interpretação”. A declaração foi dada ao ser questionado se concederia anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em eventual vitória nas eleições presidenciais de 2026. Zema respondeu que sim.
“Não foram concedidos indultos a assassinos e sequestradores aqui, durante o que eles chamam de ditadura? Agora você não vai conceder?”, rebateu o governador. Ao ser confrontado sobre sua posição quanto ao regime instaurado com o golpe militar de 1964, Zema evitou se posicionar diretamente. “Não sou historiador, nunca me aprofundei nesse tema”, afirmou. E completou: “Acho que tudo é questão de interpretação.”
Quando a pergunta sobre a ditadura foi retomada, Zema reafirmou sua postura ambígua: “Prefiro não responder, porque acho que há interpretações distintas. E houve terroristas naquela época? Houve também. Então fica aí. Acho que os historiadores é que têm de debater isso. Eu preciso me preocupar, hoje, com Minas Gerais.”
Zema não é o único governador a defender a anistia a Bolsonaro. Em maio, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), afirmou que concederia perdão ao ex-presidente, caso assuma a presidência em 2026. “No meu momento, vou resolver esse assunto, anistiar essa situação toda”, declarou Caiado, defendendo um projeto de pacificação nacional.
Em abril, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu o recurso como um “remédio político” utilizado em outros momentos da história. Tarcísio participou de ato pró-anistia na Avenida Paulista, junto com outros governadores como Mauro Mendes (União-MT), Jorginho Mello (PL-SC) e Cláudio Castro (PL-RJ).
Foto: Gil Leonardi/ Governo de MG

