Em postagem enigmática nas mídias sociais nesta quarta-feira (12), o governador reeleito Romeu Zema (Novo) não apenas relembrou um ato de 2018 que marcou o início de sua trajetória rumo ao governo de Minas pelo Partido Novo, mas também deixou no ar que novos caminhos podem estar nos planos – seja uma fusão da legenda com outro partido ou, quem sabe, ele mesmo trocar de sigla.

Essa foto foi em 2018, no lançamento da campanha ao Governo de Minas, em Araxá. Éramos poucos, mas a vontade de mudar sempre foi enorme. Valorizo minhas origens e permaneço com elas. Sou grato ao Novo, que me convidou a entrar para a vida pública. Seguimos juntos, com os mesmos valores e princípios, que serão mantidos e levados a cada vez mais lugares e pessoas. #OrgulhoMineiro“, escreveu Zema no Instagram.

Ao mesmo tempo em que demonstra gratidão ao Novo e diz que seguem juntos, “com os mesmos valores e princípios”, o governador sugere, de forma bem enigmática, que poderá haver novidades pela frente, no trecho “que serão (os valores e princípios) mantidos e levados a cada vez mais lugares e pessoas”.

O próprio Zema declarou nesta terça-feira (11) que já haveria articulações para uma fusão do partido Novo com outra legenda, como consequência de a sigla ter perdido votos em relação a 2018 e elegido poucos deputados.

Na Câmara Federal, caiu de oito para apenas três e não atingiu a cláusula de barreira – que determina aos partidos a eleição de pelo menos 11 deputados ou 2% dos votos válidos no país.

A partir de fevereiro de 2023, como consequência da cláusula de barreira, o Novo não terá acesso aos recursos dos fundos partidário e eleitoral e nem ao horário eleitoral obrigatório.

Em Minas, o Novo perdeu as duas cadeiras em Brasília e elegeu apenas dois na Assembleia Legislativa, mesmo sendo o partido do governador reeleito em primeiro turno.

Pelo o que tenho acompanhado e conversado com nossos parlamentares, já estamos articulando uma possível fusão com outro partido para que nós tenhamos condições de atravessar esses próximos quatro anos, que sabemos que será um período difícil. O partido não alcançou a cláusula de barreira”, disse Zema ao site “O Antagonista”.

A fala do governador gerou reação. O presidente do Novo em Minas, Ronnye Antunes, afirmou à reportagem que a posição do diretório é totalmente contrária à fusão. Já o presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, negou que haja esse tipo de negociação.

A reportagem entrou em contato com dois quadros do entorno de Zema, no caso o vice eleito Mateus Simões e Igor Eto, o coordenador político da campanha e ex-secretário de governo estadual, para saber se a postagem do governador foi um aceno de concordância com os dirigentes do partido ou se há possibilidade de saída dele do Novo.

Em contato com a reportagem, Simões afirmou: “Nenhuma das duas coisas. A reafirmação de que ele valoriza as origens dele”. Igor Eto não havia respondido até a publicação dessa reportagem.


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