Por Marco Aurélio Carone –

 

 

A corrida para as eleições de 2026 em Minas Gerais já provoca intensas disputas internas no campo da direita. O governador Romeu Zema (Novo) consolidou seu apoio ao vice-governador Mateus Simões como pré-candidato oficial do partido ao governo, gerando atritos com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que também é apontado como um nome forte para a disputa. A fragmentação na base conservadora evidencia as dificuldades de articulação para uma candidatura unificada no estado.

A postura de Zema, reforçando o apoio a Simões, ficou clara durante uma entrevista em que o governador teceu elogios ao desempenho de Cleitinho no Senado, mas questionou sua aptidão para o Executivo. “Acho o Cleitinho um excelente senador, um dos mais atuantes. Como governador, pode ser bom? Pode. Como senador, eu sei que já é bom. O Mateus, eu tenho certeza que é um executor excelente, porque ele já provou que é”, declarou Zema, destacando a experiência administrativa de seu vice.

A fala do governador gerou uma reação imediata de Cleitinho. Em um comentário nas redes sociais, o senador rebateu as declarações, afirmando que Zema “nunca” o apoiou e “nunca vai apoiar”. Ele também reforçou sua independência política e afirmou que, caso venha a ocupar o governo de Minas, irá honrar suas promessas e priorizar as demandas da população mineira.

A resposta de Cleitinho também expôs sua insatisfação com o Novo, partido que tem tentado atraí-lo desde 2023. Embora o presidente estadual da legenda, Christopher Laguna, tenha reiterado em março de 2024 que “as portas estão abertas” para o senador, a pré-candidatura oficial de Simões representa um obstáculo significativo para sua filiação.

O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), irmão de Cleitinho, afirmou que o senador será o próximo governador de Minas Gerais. Em uma entrevista no final de 2024, Gleidson declarou com convicção: “Que ele vai ser governador, vai. Ele não é candidato, ele vai ser governador de Minas”.

Gleidson também ressaltou que a escolha do representante da direita deve ser baseada em pesquisas e não em “vaidades”. No entanto, as declarações do prefeito reforçam o embate interno no campo conservador, especialmente com Zema apoiando abertamente Simões.

A decisão de Zema em apostar no vice-governador Mateus Simões reflete uma estratégia de continuidade administrativa e de consolidação do modelo de gestão técnica defendido pelo Novo. Simões, que possui uma trajetória mais técnica e discreta, é visto como o sucessor natural do atual governo, que busca evitar grandes rupturas ou mudanças bruscas no estado.

O apoio de Zema, entretanto, pode criar resistência entre eleitores bolsonaristas, que representam uma base significativa no estado e estão mais alinhados a figuras como Cleitinho. A relação do senador com o ex-presidente Jair Bolsonaro é vista como um trunfo para atrair eleitores conservadores, mas também gera atritos com a ala do Novo, que tenta se distanciar do bolsonarismo mais radical.

Em outubro de 2024, Cleitinho esteve ao lado de Bolsonaro durante uma visita a Belo Horizonte, reforçando sua intenção de representar o ex-presidente na disputa pelo governo mineiro. A aproximação com Bolsonaro fortalece o apelo popular do senador, mas amplia as divisões dentro da direita, especialmente com o Novo priorizando uma abordagem técnica e menos polarizadora com Simões.

Essa relação próxima com Bolsonaro, somada à postura combativa de Cleitinho, torna-o uma figura carismática entre eleitores mais conservadores. No entanto, a ausência de uma base partidária sólida e o impasse com o Novo complicam seus planos para 2026.

O confronto entre Zema e Cleitinho reflete um momento de transição política em Minas Gerais. De um lado, Zema busca consolidar sua influência no estado e dar continuidade ao modelo de gestão técnica com Mateus Simões. Por outro, Cleitinho aposta em sua popularidade e em um discurso mais voltado às demandas populares para se posicionar como uma alternativa independente.

O impasse no campo conservador mineiro revela as dificuldades de encontrar um nome de consenso para representar a direita em 2026. Enquanto Zema confia na experiência de Simões, Cleitinho aposta em sua proximidade com Bolsonaro e em seu apelo popular para construir uma candidatura forte.

A divisão entre Zema e Cleitinho também abre espaço para o surgimento de novos atores no cenário político mineiro. O campo da direita enfrenta o desafio de evitar que a fragmentação beneficie adversários políticos, especialmente em um momento em que o estado se encontra em uma posição estratégica para as eleições presidenciais.

Com Zema apostando em Mateus Simões e Cleitinho reforçando sua independência, o cenário de 2026 em Minas Gerais permanece incerto e repleto de tensões. A disputa pela liderança no campo conservador promete ser acirrada, com ambos os lados tentando consolidar suas bases e atrair o eleitorado.

O apoio aberto de Zema a Simões representa um marco na corrida eleitoral, enquanto Cleitinho busca se destacar como um nome independente e popular. A divisão no campo conservador mineiro evidencia os desafios de articulação e a complexidade das disputas internas, que serão decisivas para o resultado final das eleições de 2026.

 

Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG