As queimadas que estão se espalhando por diversas regiões do Brasil têm gerado um impacto significativo na demanda por serviços de saúde pública, revelou a ministra da Saúde, Nísia Trindade, nesta segunda-feira. Ela destacou que a situação ocorre em um momento do ano já caracterizado pelo aumento de casos de doenças respiratórias, o que tem pressionado ainda mais o sistema de saúde.
“Estamos enfrentando um aumento expressivo na procura por unidades de saúde, especialmente em decorrência das queimadas. O impacto é forte, e a demanda está crescendo”, afirmou a ministra durante um evento do G20 sobre instituições nacionais de saúde, realizado no Rio de Janeiro. Nísia ressaltou que, além dos efeitos imediatos, há preocupação com os danos a longo prazo à saúde da população, uma vez que as crises respiratórias podem se agravar com o tempo. “Não estamos lidando apenas com os efeitos de curto prazo, mas também com possíveis complicações de médio e longo prazo na saúde das pessoas.”
Os dados mais recentes reforçam a gravidade da situação. Em agosto de 2023, os focos de incêndio na Amazônia brasileira atingiram níveis recordes, com 38.266 registros detectados por satélites, o maior número para o mês desde 2010 e mais que o dobro do ano anterior, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O aumento expressivo dos incêndios também está afetando outras regiões, como o Pantanal, o interior de São Paulo e áreas do Centro-Oeste, incluindo a capital federal, Brasília.
Crianças e idosos, os mais vulneráveis
A ministra Nísia Trindade destacou que crianças e idosos são os mais vulneráveis às crises respiratórias causadas pela poluição e fumaça resultantes das queimadas. “Nossa principal preocupação são os idosos e as crianças, que são os mais afetados pelos problemas respiratórios. Quem já sofre de condições alérgicas é ainda mais impactado”, explicou. Ela também destacou que este período do ano, tradicionalmente marcado por um aumento de casos de síndromes respiratórias agudas graves, está se tornando ainda mais desafiador devido às queimadas.
Mesmo com o agravamento da situação, a ministra descartou, por enquanto, o risco de falta de leitos para atender a população afetada. No entanto, ela garantiu que a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) está em alerta e pronta para atuar em apoio aos estados e municípios mais atingidos pelas queimadas. “Estamos reforçando o apoio necessário para esse período crítico. Nossa rede de saúde está em prontidão para atender à crescente demanda.”
Consequências a longo prazo e desafios de saúde pública
Além dos impactos imediatos, Nísia Trindade enfatizou a necessidade de preparar o sistema de saúde para lidar com as consequências a longo prazo das queimadas. A exposição contínua à fumaça e poluição pode agravar doenças respiratórias crônicas, como asma e bronquite, e aumentar a vulnerabilidade da população a complicações futuras. As partículas finas presentes na fumaça resultante das queimadas podem penetrar profundamente nos pulmões, causando inflamações e outros danos ao sistema respiratório.
A ministra destacou a importância de ações coordenadas entre os governos federal, estadual e municipal para enfrentar essa crise de saúde pública, que está diretamente ligada às questões ambientais. “A saúde da população e a proteção do meio ambiente andam juntas. Precisamos de políticas integradas para combater as queimadas e suas consequências para a saúde”, disse Nísia.
Além dos esforços emergenciais para enfrentar a demanda nas unidades de saúde, a ministra destacou a importância de investir em medidas preventivas, como campanhas de conscientização sobre os riscos das queimadas e a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis. Segundo ela, é necessário um esforço conjunto de várias áreas do governo para mitigar os impactos tanto ambientais quanto na saúde da população.
Queimadas e saúde pública: uma relação alarmante
A relação entre o aumento das queimadas e o impacto direto na saúde pública tem sido motivo de crescente preocupação entre especialistas. A fumaça gerada pelos incêndios florestais contém uma combinação perigosa de gases tóxicos e partículas que podem causar danos respiratórios graves. Estudos mostram que a exposição prolongada à fumaça das queimadas pode aumentar o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente em populações vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças pré-existentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a poluição causada por queimadas é responsável por milhões de mortes prematuras em todo o mundo a cada ano. No Brasil, com o aumento das queimadas em regiões como a Amazônia e o Pantanal, o cenário se torna cada vez mais alarmante.
A ministra Nísia Trindade ressaltou que o Ministério da Saúde está intensificando os esforços para monitorar o impacto das queimadas e garantir que as unidades de saúde estejam equipadas para lidar com o aumento de casos de problemas respiratórios. “Estamos atentos e trabalhando para garantir que a população receba o atendimento necessário, mas é fundamental que haja uma ação coordenada para prevenir que essa situação se repita no futuro”, concluiu.
Essa crise de saúde pública, impulsionada pelas queimadas, destaca a urgência de ações mais robustas em termos de políticas ambientais e de saúde no Brasil, com o objetivo de proteger a saúde das pessoas e preservar os ecossistemas do país.

