Antes de assumir oficialmente, o novo presidente da Vale, Gustavo Pimenta, já está em contato com autoridades federais e estaduais para resolver pendências importantes envolvendo a empresa. Entre os principais temas estão a renovação antecipada das concessões das ferrovias Carajás (PA) e Vitória-Minas (MG), além do acordo de compensação pelos danos causados pela tragédia de Mariana, envolvendo a barragem de Fundão, da Samarco, controlada pela Vale e BHP.
Paralelamente, o conselho de administração da Vale discute a possibilidade de antecipar a posse de Pimenta, originalmente prevista para o final do ano, para outubro ou até mesmo para este mês, substituindo Eduardo Bartolomeo no comando da empresa. Pimenta foi nomeado em 26 de agosto.
Na terça-feira, Pimenta se reuniu com o ministro dos Transportes, Renan Filho, para tratar da renovação das concessões ferroviárias. Durante o governo Bolsonaro, a Vale havia assinado acordos de prorrogação, mas a atual gestão de Lula considera os valores envolvidos baixos e busca uma revisão. No caso das ferrovias Vitória-Minas e Carajás, o governo quer que a Vale pague uma nova outorga. A empresa ofereceu R$ 16 bilhões em abril, mas o governo espera R$ 25,7 bilhões. Também faz parte das negociações a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), que seria conduzida pela Vale.
Pimenta também se encontrou com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, para discutir as compensações financeiras relacionadas ao desastre de Mariana. A Samarco já desembolsou R$ 37 bilhões em reparações, mas negociações estão em andamento para um novo pagamento de R$ 100 bilhões, além de R$ 49 bilhões em compromissos futuros.
Em nota, a Vale afirmou que as negociações com o Ministério dos Transportes estão em fase avançada e reiterou seu compromisso com as ações de reparação e compensação pelo rompimento da barragem de Fundão. A empresa busca um acordo que garanta reparações justas às vítimas e ao meio ambiente, em colaboração com as autoridades.

