O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 10,5% para 10,75% ao ano. Esta foi a primeira alta de juros durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e marca o primeiro aumento em mais de dois anos. A última elevação ocorreu em agosto de 2022, quando a Selic subiu de 13,25% para 13,75%, seguida por um ciclo de quedas que acumulou uma redução de 3,25 pontos percentuais até o final de 2023.
A decisão do Copom está em conformidade com as expectativas do mercado financeiro, que já projetava um aumento de 0,25 ponto percentual, segundo levantamento da Bloomberg. Esse movimento sinaliza a cautela do Banco Central em meio a um cenário de inflação persistente e desafios econômicos tanto internos quanto externos.
Este foi o primeiro encontro do Copom desde a nomeação de Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária, para a presidência do Banco Central. Galípolo, indicado pelo presidente Lula, será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado em outubro. Caso aprovado, ele assumirá o comando da instituição em um contexto de alta de juros, sucedendo Roberto Campos Neto, cujo mandato termina no final do ano.
O cenário atual traz preocupações com a inflação, principalmente devido aos efeitos da estiagem e ao aumento dos preços de alimentos e energia. O boletim Focus, que compila projeções de economistas, prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 4,35%, próximo ao teto da meta de 4,5%. Para 2025, a expectativa é de uma inflação de 3,95%, ainda acima do centro da meta de 3% perseguida pelo Banco Central, que permite uma oscilação entre 1,5% e 4,5%.
Em contraste, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, cortou suas taxas de juros em 0,5 ponto percentual, para a faixa de 4,75% a 5%, sendo a primeira redução desde 2020. Essa mudança cria um ambiente favorável para as economias emergentes, como o Brasil, pois reduz a pressão sobre a taxa de câmbio e permite maior flexibilidade nas próximas decisões do Banco Central brasileiro.
Apesar das expectativas de desaceleração econômica, a economia brasileira continua apresentando sinais de resiliência, com o PIB ainda aquecido. No entanto, as incertezas sobre as contas públicas e o impacto das mudanças climáticas seguem pressionando o cenário inflacionário. Diante disso, o Copom já está focado nas projeções de inflação para 2025 e 2026, com a próxima reunião marcada para os dias 5 e 6 de novembro.

