Nesta quinta-feira (3), ocorre no Rio de Janeiro a reunião ministerial do G20 sobre Sustentabilidade Ambiental e Climática. O encontro será realizado no Museu do Amanhã, com o objetivo de formular um documento que será encaminhado aos chefes de Estado e de governo durante a Cúpula de novembro.

A reunião acontece em meio a uma grave crise de queimadas que se espalha pelo Brasil. De janeiro a setembro, foram registrados mais de 210 mil focos de incêndio no país, quase o dobro do que foi detectado no mesmo período em 2023 (111 mil focos).

A ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, está presente na capital fluminense e já participou de outros eventos durante a semana. Ela abrirá a reunião com um discurso na manhã de quinta-feira, com a expectativa de que o acordo final seja divulgado até o final da tarde.

O evento contará com a presença de ministros e vice-ministros de 17 países, além de representantes de três organizações internacionais ligadas à ONU. Antes do encontro ministerial, um corpo técnico do G20 já vinha trabalhando na elaboração do documento final ao longo do ano.

O grupo de trabalho tem quatro temas prioritários, definidos pela presidência brasileira do G20: adaptação a eventos climáticos extremos, pagamento por serviços ambientais, preservação dos oceanos e gestão de resíduos e economia circular.

No eixo de adaptação climática, as discussões têm enfatizado a necessidade de aumentar o financiamento, principalmente para nações mais vulneráveis. O Brasil tem usado o cenário atual, com recordes de queimadas e enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul, para destacar a urgência de ações contra esses impactos.

Globalmente, a adaptação às mudanças climáticas é uma das frentes mais desafiadoras, devido aos altos custos e à urgência das medidas necessárias, como a adequação de infraestrutura. Países em desenvolvimento, que historicamente emitem menos gases de efeito estufa, são mais severamente impactados por eventos climáticos extremos, o que dificulta a definição de como financiar essas adaptações.

Outro tema de destaque é a criação de mecanismos para o pagamento por serviços ecossistêmicos, como a polinização e a regulação climática. O Brasil pretende lançar, até a COP30 em 2025, um fundo global para a conservação de florestas, com o objetivo de remunerar países emergentes que implementam iniciativas de proteção às florestas tropicais.

As discussões sobre preservação dos oceanos e gestão de resíduos convergem com dois grandes eventos globais que ocorrerão em breve: a COP16, cúpula da biodiversidade da ONU, que será realizada em outubro na Colômbia, e as últimas reuniões para a criação do tratado global contra a poluição plástica, no final de novembro, na Coreia do Sul.

A expectativa é que os ministros do G20 reafirmem o compromisso com metas ambiciosas para enfrentar a crise climática e ambiental. Para especialistas, como André Aquino, do Ministério do Meio Ambiente, e Maria Netto, do Instituto Clima e Sociedade, o documento final deve trazer diretrizes mais claras sobre o financiamento para adaptação climática e mecanismos como o pagamento por serviços ambientais.

Outros temas importantes, como a transição energética e o financiamento sustentável, continuam sendo abordados em grupos especializados dentro do G20, além de uma força-tarefa focada no combate à mudança climática.

 


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