A primavera chega transformando as paisagens e trazendo mais cor e vida para os jardins. Para os produtores de flores, especialmente aqueles que trabalham o ano inteiro, o último trimestre é uma fase de muito trabalho. Isso ocorre em função do aumento da demanda, impulsionado pelas festas de confraternização e formaturas. Na região de Barbacena, um dos principais polos de flores de corte do Brasil, os produtores comemoram a recuperação do setor, após a crise gerada pela pandemia que afetou significativamente o mercado.

A 52ª edição da Festa das Rosas e Flores de Barbacena, realizada no Parque de Exposições Senador Bias Fortes entre os dias 10 e 13 de outubro, reflete esse momento positivo. O evento é uma tradição local e uma oportunidade de celebrar o trabalho árduo dos produtores, que buscam sempre oferecer flores mais bonitas e duradouras. Além disso, a festa serve como uma vitrine para negócios, permitindo que os produtores expandam suas vendas e alcancem novos mercados.

A região de Barbacena e seus arredores, como os municípios de Alfredo Vasconcelos, Antônio Carlos, Ressaquinha e São João del Rei, possuem uma produção anual de aproximadamente 1,2 milhão de dúzias de flores de corte. Em 2023, a produção de flores envasadas na região alcançou 942.330 vasos, e a expectativa para 2024 é de 947.330 vasos. Outros municípios mineiros também se destacam na produção de flores de corte, como Teófilo Otoni, Patos de Minas, Itapeva e Nova Porteirinha. Tiradentes, por sua vez, brilha com a produção de 30 mil vasos de orquídeas, um mercado em expansão.

O setor de floricultura, por sua natureza delicada, é um dos que mais emprega mão de obra feminina. O produtor Mário Raimundo de Melo, que atua no ramo há 27 anos, destaca os desafios da produção de flores. Proprietário do Sítio Candeias, em Barbacena e Alfredo Vasconcelos, Mário explica que o mercado de flores é complexo e competitivo, com compradores fiéis aos seus fornecedores. “A produção de flores exige muito profissionalismo, pois se trata de um produto extremamente perecível”, ressalta.

Segundo Mário, o processo de cultivo de rosas envolve várias etapas que demandam muita atenção e cuidado, desde o plantio até a colheita, passando pelo armazenamento e transporte, que precisam ser feitos em câmaras frias para garantir a qualidade do produto. Ele também destaca o trabalho manual envolvido, como a poda, a retirada de espinhos e a seleção das flores, atividades que exigem um grande número de trabalhadores.

Os custos de produção, segundo o produtor, têm aumentado significativamente, com destaque para a energia elétrica, utilizada na irrigação e nas câmaras frias, além dos insumos como embalagens plásticas, defensivos e royalties das flores, cotados em moedas estrangeiras. “É preciso trabalhar com inteligência para evitar prejuízos”, alerta Mário.

Para facilitar a comercialização, muitos produtores da região fazem parcerias com cooperativas, o que ajuda a garantir que a produção seja escoada de forma eficiente. Mário explica que o fim de ano é uma época de alta demanda devido às festividades e formaturas, quando a produção de rosas brancas e amarelas aumenta, especialmente para o réveillon.

Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o mercado de flores e plantas no Brasil movimentou R$ 17,8 bilhões em 2023. As exportações do setor tiveram como principais destinos 59 países, sendo Holanda, Estados Unidos e Uruguai os maiores compradores. O cenário positivo reafirma a importância da floricultura para a economia, tanto no mercado interno quanto externo.