A bancada do PT na Câmara dos Deputados decidiu não anunciar, por enquanto, seu apoio a nenhum dos candidatos à sucessão de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Casa. A expectativa é que a definição aconteça apenas após o segundo turno das eleições municipais, frustrando os planos de Lira, que esperava um desfecho mais rápido. O presidente da Câmara tinha manifestado nos bastidores seu desejo de resolver a disputa o quanto antes.
Na reunião desta terça-feira (15), ainda não houve consenso entre os deputados do PT. Enquanto alguns defendem um anúncio imediato, outros pedem mais cautela para evitar uma decisão precipitada. O PT é visto como uma peça-chave na eleição da Mesa Diretora, com os três candidatos em disputa tentando garantir o apoio do partido. Atualmente, os nomes em jogo são Hugo Motta (Republicanos-PB), Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Antonio Brito (PSD-BA), sendo que os dois últimos fecharam aliança.
O líder do PT na Câmara, Odair Cunha (MG), afirmou após a reunião que o partido deve tomar sua decisão apenas após o término das eleições municipais, sem estabelecer um prazo rígido. “Possivelmente, após o segundo turno. Não vamos definir prazos, pois o mais importante é a conveniência política e o amadurecimento do tema dentro da bancada”, disse Cunha.
Ainda há dúvidas sobre a permanência do PT no “blocão” formado para apoiar Lira em 2023, ou se o partido buscará formar um novo bloco. No atual cenário, Hugo Motta é visto como o candidato de “convergência“, apoiado por Lira e com boas chances de conseguir o apoio de sete partidos, incluindo o PT e o PL, embora não haja um posicionamento oficial.
Além disso, o PT está em processo de consulta aos candidatos e continuará aprofundando o debate nas próximas semanas. Segundo Cunha, o partido está empenhado em não acirrar as disputas internas na base governista, evitando conflitos que possam prejudicar a governabilidade. “A maioria da bancada tende a apoiar um candidato de convergência. Não queremos intensificar disputas internas que possam prejudicar os interesses do PT e do governo“, afirmou.
Uma nova reunião da bancada está prevista para o dia 29 de outubro, enquanto a executiva do partido se encontrará um dia antes, no dia 28. Durante esse período, o PT buscará dialogar com os três candidatos para organizar encontros com os deputados petistas e definir sua posição. A federação formada por PT, PV e PCdoB também deverá ter um posicionamento único na eleição da Câmara, já que juntos somam 80 deputados.
Desde o início do ano, Lira havia afirmado nos bastidores que o PT havia se comprometido a apoiar seu candidato, mas até o momento, a decisão não foi tomada. Esse atraso tem contribuído para a dificuldade de Lira em anunciar oficialmente seu candidato à sucessão.
Em setembro, o presidente Lula estimulou a candidatura de Elmar Nascimento, o que foi interpretado como uma manobra para manter a disputa equilibrada e aumentar a influência do governo no desfecho da eleição. No entanto, Lira e seus aliados estão preocupados com o tempo que se passa sem uma definição, já que isso enfraquece a capacidade de influência do atual presidente da Câmara. Em meio a esse cenário, Lira pediu pessoalmente ao presidente Lula um sinal de apoio ao nome de Hugo Motta.
Na reunião desta terça-feira, a executiva do PT reforçou a necessidade de evitar atritos entre os partidos que compõem a base governista, ressaltando que disputas internas podem prejudicar a governabilidade nos últimos dois anos do mandato de Lula. Motta, considerado o favorito, foi impulsionado à disputa após a desistência de Marcos Pereira, presidente de seu partido, Republicanos. Inicialmente, Elmar Nascimento era o preferido para receber o apoio de Lira, mas após as reviravoltas, ele rompeu com Lira e se uniu a Antonio Brito, formando um bloco mais alinhado ao Executivo.
A estratégia de Elmar e Brito visa formar um bloco governista sem a participação do PL de Jair Bolsonaro, a fim de garantir a governabilidade de Lula até o fim de seu mandato.
Foto: Gabriel Paiva

