Um projeto de lei, defendido por uma parlamentar israelense, pretende impedir que a principal agência da ONU em Gaza e Cisjordânia, a UNRWA (Agência de Assistência e Obras da ONU), opere em Israel. Se aprovado pelo Knesset, o parlamento israelense, o projeto proibiria autoridades israelenses de prestar serviços ou interagir com funcionários da UNRWA, limitando a atuação da agência no país.
A proposta surge em meio a críticas do governo israelense, que alega conexões entre alguns funcionários da UNRWA e o grupo Hamas. Em resposta, a UNRWA negou as acusações e ressaltou sua política de neutralidade. A parlamentar Yulia Malinovsky, autora do projeto, acusa o embaixador dos EUA em Israel, Jacob Lew, de fazer lobby com a oposição para bloquear a medida, chamando a pressão americana de “inaceitável”.
Na semana passada, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel afirmou que um comandante do Hamas, supostamente funcionário da UNRWA desde 2022, foi morto em Gaza. A declaração gerou repercussão, e o Ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, criticou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, por “lamentar a perda” do suposto funcionário.
A medida encontrou apoio entre líderes da oposição, como Yair Lapid, e ex-membros do gabinete de guerra, como Benny Gantz. No entanto, países como Canadá, Austrália, França, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido expressaram preocupação com o projeto. Esses governos destacaram que a UNRWA fornece serviços essenciais, incluindo educação e saúde, em Gaza e Cisjordânia, e alertaram que a legislação prejudicaria a assistência humanitária na região.

