Usuários do transporte coletivo criticaram o serviço prestado pelas empresas responsáveis pelos coletivos em Belo Horizonte, avaliando que o aumento reivindicado pelo Sindicato das Empresas de Transporte e Passageiros (Setra-BH) e acolhido pela Justiça não reflete no que é oferecido.

“Geralmente, a espera pelo coletivo é de 15 minutos, mas nos últimos tempos, a média passa dos 30, 40 minutos”, lamenta o cabeleireiro Geraldo Magela, de 65 anos, que diariamente utiliza a estação Vilarinho, na região Norte da capital. Nesta quarta, ele chegou uma hora mais cedo para garantir que “não teria erro”. Mas na hora de entrar no ônibus, as reclamações ganham novas pautas.

“É raro fazer uma viagem sentado, parece que nem tem mais bancos dentro do ônibus. Também tenho muitas críticas ao ar condicionado, já que as janelas não abrem. Mesmo no verão, o aparelho fica desligado, e no meio da lotação, a gente fica em uma situação muito desconfortável”, desabafa.

A diarista Helena Pereira, de 45 anos, trabalha em diversas regiões de BH, conforme a demanda do dia. Ela usa várias linhas de ônibus, e afirma que as condições são as mesmas onde quer que vá.

“Não sei por que os motoristas continuem deixando o passageiro entrar, chega um momento em que simplesmente não dá pra se mexer dentro do ônibus. Com isso, eu já chego cansada no trabalho, e com certeza todo o dia é prejudicado quando o trajeto em si já não é dos mais fáceis”, conta.

A reportagem procurou o Setra, apresentou os questionamentos e aguarda um retorno.

Aumento das passagens

Usuários do transporte público de Belo Horizonte vão sentir no bolso o impacto de um aumento de 30% no preço das passagens de ônibus. A prefeitura anunciou nesta terça-feira que vai acatar a ordem da Justiça, que determinou que sejam feitos os cálculos para reajuste da tarifa. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) – autor da ação – a passagem deve saltar de R$ 4,50 para R$ 5,85.

A Justiça deferiu parcialmente o pedido liminar para que sejam instaurados os procedimentos necessários para o reajuste da tarifa do serviço de transporte coletivo por ônibus em Belo Horizonte.

A decisão foi assinada pelo juiz Wauner Batista Ferreira Machado, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal da Comarca de Belo Horizonte. A liminar, no entanto, não define o valor do aumento, mas determina que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) faça os cálculos da fórmula paramétrica.

De acordo com a decisão, está prevista multa diária de R$250 caso a Prefeitura descumpra a determinação. A administração municipal tem dez dias para apresentar à Justiça as informações que julgar necessárias.

Por meio de nota, a Prefeitura lamentou a decisão, mas informou que “após a notificação da decisão judicial e efetuada a análise, o Município dará cumprimento e irá instaurar o procedimento administrativo para proceder ao reajuste determinado judicialmente, sem prejuízo da avaliação de eventuais recursos se cabíveis e viáveis”.

A Prefeitura afirmou ainda que “fará o que for possível para comunicar previamente à população sobre a data de vigência do aumento”.