O avanço do protecionismo global, impulsionado por políticas anunciadas pelo governo americano, gera desafios, mas também abre novas perspectivas para o Brasil, segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES. No Fórum Estadão Think – Do Brasil para o Mundo, realizado nesta terça-feira, 12, Mercadante destacou que, embora o cenário mundial caminhe para uma desaceleração no comércio global, o Brasil pode aproveitar oportunidades estratégicas.
A professora Lia Valls Pereira, da UERJ e FGV/Ibre, reforçou a necessidade de políticas comerciais consistentes e de longo prazo. “O comércio exterior não muda da noite para o dia. Precisamos de uma política de Estado, não de governo, que priorize infraestrutura, qualificação da mão de obra e digitalização,” destacou Pereira, mencionando que a persistência é essencial para manter a competitividade do Brasil no cenário global.
Mercadante observou que, apesar do fortalecimento de políticas protecionistas, o Brasil possui vantagens estratégicas. “Com a China, por exemplo, temos uma relação complementar. Eles têm grande interesse em investir aqui, especialmente em energia e infraestrutura ferroviária,” explicou. O mesmo raciocínio vale para parcerias com a Alemanha, onde o Brasil está prestes a anunciar um projeto de pesquisa e desenvolvimento em conjunto. Segundo ele, apostar em políticas verdes e ecoprotecionistas pode elevar o padrão de crescimento nacional.
Na visão de Mercadante, o fortalecimento da infraestrutura e logística é crucial para o Brasil garantir uma oferta competitiva ao mercado externo. Ele acredita que a descarbonização de setores como a aviação e o transporte marítimo trará novas oportunidades, uma vez que o país é líder na produção de biocombustíveis. “Temos todas as condições para liderar a transição para combustíveis limpos,” ressaltou, referindo-se à importância do Brasil nos primeiros passos para um setor aéreo mais sustentável.
Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, complementou que o Brasil tem credenciais sustentáveis que são atrativas no cenário internacional, especialmente ao unir políticas comerciais e ambientais. “Nossa localização fora dos grandes conflitos e o foco em ecoprotecionismo também são grandes ativos. Essa agenda é essencial e cria um campo fértil para o Brasil se destacar no comércio mundial,” afirmou.
Mercadante e Prazeres concordam que, além de enfrentar o protecionismo crescente, o Brasil deve focar em políticas que integrem sustentabilidade e competitividade industrial. Para Mercadante, a ousadia em adotar políticas verdes, junto com um possível aumento da confiança internacional em relação ao Brasil, pode transformar o país em um importante player no cenário econômico global, aproveitando as janelas de oportunidade que surgem com o ecoprotecionismo.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

