Nas últimas semanas, os planos de ocupação israelense nos territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia se intensificaram, especialmente após o início da guerra contra o Hamas, desencadeada pelo ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Apesar da justificativa inicial de combate ao Hamas e resgate de reféns, Israel consolidou avanços estratégicos e começou a implementar planos que sugerem uma ocupação prolongada.

Na Faixa de Gaza, Israel estabeleceu uma “zona de proteção” no norte do enclave, controlando 46 km² com postos militares avançados, bases de defesa e torres de comunicação. Dados de satélite analisados pelo *The New York Times* revelaram a demolição de mais de 600 prédios ao redor do corredor Netzarim, uma estrada militar construída para impedir o retorno de civis palestinos durante as operações.

Apesar de negar intenções de ocupação permanente, o Exército israelense expandiu bases e instalou infraestrutura avançada, como estradas pavimentadas e valas defensivas. “Qualquer coisa que tenha sido construída lá pode ser desmontada em um dia”, afirmou o porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani.

No entanto, declarações de ministros como Bezalel Smotrich sugerem planos de longo prazo. Em novembro, Smotrich defendeu publicamente a conquista de Gaza e a redução pela metade da população palestina na região. Organizações como a Nachala, que apoiam a colonização, já elaboram estratégias para reassentar judeus no enclave, inspirando-se no modelo de ocupação entre 1967 e 2005.

Enquanto os olhos do mundo se voltam para Gaza, a Cisjordânia enfrenta uma expansão acelerada de assentamentos judaicos. Desde o ataque de 7 de outubro, medidas como demolição de casas palestinas, expulsão de famílias e confiscos de terras se intensificaram. Segundo a ONU, 1,6 mil palestinos foram deslocados e 800 edifícios destruídos entre outubro e julho de 2024.

Além disso, o ministro Itamar Ben-Gvir distribuiu centenas de licenças de porte de fuzil para colonos judeus na Cisjordânia, intensificando conflitos com os mais de três milhões de palestinos que vivem na região. Dados da ONU mostram que, entre outubro de 2023 e julho de 2024, mais de 700 palestinos foram mortos por forças israelenses e 6 mil presos.

A organização israelense Paz Agora estima que 24,1 km² de terras na Cisjordânia foram confiscados pelo governo após o ataque de 7 de outubro. O ministro Smotrich também reconheceu oito postos avançados, antes considerados ilegais, e declarou outros 70 elegíveis para construção de infraestrutura, sinalizando uma política de expansão sem precedentes.

No governo de Binyamin Netanyahu, a influência de ministros como Smotrich e Ben-Gvir fortalece as agendas dos colonos. A Nachala, organização que promove a colonização, mantém diálogo direto com líderes governamentais, que participam de conferências e eventos de planejamento.

A expansão dos assentamentos, muitas vezes ilegal sob o direito internacional, é legitimada pelo governo israelense por meio de reconhecimento oficial e infraestrutura financiada pelo Estado. “Essas ações tornam a ocupação irreversível e inviabilizam uma solução de paz”, afirmou Mauricio Lapchik, diretor da Paz Agora.

A eleição de Donald Trump em novembro de 2024 foi celebrada por líderes israelenses como Smotrich, que enxergam na vitória uma oportunidade para acelerar os planos de anexação. Durante seu primeiro mandato, Trump apoiou políticas pró-Israel, como o reconhecimento de Jerusalém como capital e a anexação das Colinas de Golã.

Agora, com a possibilidade de um segundo mandato, ministros israelenses acreditam que poderão avançar na soberania sobre a Cisjordânia e consolidar a colonização em larga escala. “Estávamos a um passo de aplicar a soberania, e agora é a hora de fazê-lo”, declarou Smotrich após a vitória de Trump.

Aliados históricos de Israel, como Estados Unidos, França, Reino Unido e União Europeia, têm se oposto às políticas de colonização com sanções contra colonos e organizações que promovem os assentamentos. Contudo, a efetividade dessas medidas é limitada. Daniella Weiss, líder da Nachala, foi sancionada pelo Canadá em junho de 2024, mas segue promovendo ações de colonização com apoio de membros do governo israelense.

As políticas de colonização, somadas à repressão crescente contra palestinos, têm levado organizações como a Anistia Internacional a classificar as ações israelenses como genocídio. O cenário atual aponta para um agravamento do conflito, com a perspectiva de paz cada vez mais distante.

O avanço dos planos de colonização nos territórios palestinos, intensificado pela guerra contra o Hamas e fortalecido pelo retorno de Donald Trump, sinaliza uma escalada no conflito israelo-palestino. As ações em Gaza e Cisjordânia mostram que, além da violência direta, a ocupação ocorre com suporte estatal, colocando em xeque a viabilidade de uma solução pacífica para a região.

Foto: Tsafrir Abayov


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