O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, descartou a possibilidade de seu partido apoiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Em entrevista ao Estadão, o deputado federal afirmou que, apesar de dialogar com o governo sobre espaços em uma eventual reforma ministerial, o alinhamento do Republicanos com a centro-direita dificulta qualquer aproximação com o campo da esquerda. Pereira também destacou que a legenda prioriza a reeleição de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, embora haja pressão para que ele dispute a Presidência.

“O Tarcísio é candidato à reeleição. É o nosso sentimento e o que temos conversado. Será muito difícil apoiar Lula em 2026, considerando o perfil do nosso partido”, afirmou Pereira. Segundo ele, a decisão final dependerá de debates internos, mas “o raio X do partido” aponta para uma inclinação majoritária contra alianças com o PT.

Apesar do posicionamento firme, Pereira reconheceu os desafios para a união da centro-direita em torno de um nome competitivo em 2026. Ele criticou a estratégia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que insiste em manter sua candidatura até o último momento, mesmo diante de incertezas como processos judiciais. “Essa é uma estratégia de sobrevivência. Para o campo conservador, é ruim, pois seria fundamental que todos estivessem unidos”, analisou. Pereira destacou nomes como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Junior (PSD) como possíveis opções, mas reforçou que Tarcísio não pretende entrar na disputa presidencial.

“Tarcísio não pode largar o governo de São Paulo para esperar se Bolsonaro vai ou não vai se candidatar. O paulista poderia interpretar mal essa decisão. Ele deve focar na reeleição”, defendeu Pereira. Mesmo se Bolsonaro enfrentar problemas judiciais ou estiver preso, Pereira acredita que o ex-presidente poderia manter sua candidatura, citando o exemplo de Lula em 2018, quando disputou a corrida eleitoral preso e depois foi substituído por Fernando Haddad.

Questionado sobre a possibilidade de Eduardo Bolsonaro substituir o pai como candidato em um cenário de inelegibilidade, Pereira avaliou que o deputado federal enfrentaria dificuldades para unificar a direita. “Uma coisa é o Bolsonaro; outra coisa é o Eduardo. Será mais difícil para ele, especialmente considerando as brigas que já teve com lideranças como Caiado. Para o campo conservador, seria importante ter maturidade para pensar em um projeto de País, e não em projetos pessoais”.

Outro ponto destacado por Pereira foi a possível participação de Gilberto Kassab (PSD) como vice na chapa de reeleição de Tarcísio. Embora tenha lembrado desentendimentos passados com Kassab – como a falta de apoio à sua candidatura à presidência da Câmara –, Pereira descartou vetá-lo como vice. “A escolha do vice depende do governador e do diálogo com os partidos aliados. Kassab é experiente, conhece a máquina e tem ajudado o governador”, afirmou. No entanto, Pereira alertou que Kassab poderia enfrentar vetos de lideranças do PL, incluindo o próprio Bolsonaro.

A articulação para a reeleição de Tarcísio também deve incluir mais partidos, como MDB e PP, que não estiveram na coligação em 2022. Pereira sugeriu ainda que a atual chapa com Felício Ramuth (PSDB) como vice seja mantida, pois “a dupla tem dado certo”.

Com a expectativa de uma reforma ministerial em 2024, Pereira afirmou que o Republicanos está aberto ao diálogo para ampliar sua participação no governo Lula, mas destacou que até o momento não houve convite oficial. A sigla atualmente comanda o Ministério de Portos e Aeroportos, liderado por Silvio Costa Filho. “Por enquanto, tudo é especulação. Vamos aguardar”, disse.

Embora Pereira não descarte conversas com o governo, ele reforçou a posição de centro-direita do partido. “Nós sempre dialogamos, mas isso não significa apoio eleitoral. Nosso DNA é conservador, e a maior parte da legenda é contrária a alianças com a esquerda”, reiterou.

Ao longo da entrevista, Pereira repetiu que a divisão da centro-direita seria um erro fatal para a próxima eleição presidencial. Ele defendeu a construção de uma estratégia coletiva para o campo conservador. “Se o campo chegar dividido, Lula terá ainda mais facilidade para ganhar a reeleição. É fundamental unir não apenas os partidos, mas também as lideranças e os pré-candidatos em torno de um nome forte”, concluiu.

O Republicanos, que busca ampliar sua influência nacional, trabalha para manter a estabilidade em São Paulo e se consolidar como um dos protagonistas na articulação da centro-direita. Apesar dos desafios, Pereira acredita que o partido seguirá com Tarcísio como uma figura central, não apenas no estado, mas também no cenário nacional.

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

 


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