Quatro anos após o rompimento das barragens da Vale em Brumadinho, em janeiro de 2019, o reforço na assistência à saúde mental é uma das prioridades para atender os impactos psicológicos nos moradores da região. A tragédia afetou Brumadinho e outros 25 municípios da Bacia do Paraopeba, intensificando problemas como ansiedade, depressão e abuso de substâncias, além de sobrecarregar a rede pública de saúde.
O fortalecimento da assistência é viabilizado por ações previstas no Acordo de Reparação firmado entre o Governo de Minas Gerais, Instituições de Justiça e a Vale. Em Brumadinho, o projeto “Ações de Fomento à Saúde e Assistência” destina cerca de R$ 40 milhões para ampliar os serviços de saúde mental, com prazos de execução até 2026. Esses recursos são geridos pela Prefeitura e possibilitam a contratação de mais de 200 profissionais para atuar em unidades de saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidade de Pronto Atendimento (UPA), policlínicas e o Complexo Hospitalar do município.
Nos demais municípios atingidos, 13 contam com Caps e implementam medidas para fortalecer a rede psicossocial. As cidades beneficiadas incluem Betim, Esmeraldas, Igarapé, Pará de Minas e São Joaquim de Bicas. Cada município desenvolveu um plano de trabalho em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), visando estruturar e qualificar as equipes para ampliar o atendimento em saúde mental.
Wandercléia Barbosa, supervisora Clínica Institucional de Felixlândia, um dos municípios atendidos, afirma que a demanda por apoio psicológico cresceu após o rompimento da barragem. “Atendemos casos de uso de álcool e drogas, depressão e ansiedade. A rede acolheu quem precisava de ajuda“, destacou. Ela também ressaltou que o projeto trouxe capacitação às equipes e novos serviços, incluindo supervisão clínica, busca ativa, atendimento domiciliar e reinserção social dos pacientes.
O fortalecimento da rede psicossocial nesses municípios tem um custo total de R$ 19,7 milhões, conforme critérios estabelecidos no Acordo Judicial. Os repasses ocorrem em três parcelas, sendo a primeira, de R$ 11,8 milhões, realizada em março de 2023. As parcelas seguintes estão condicionadas à execução de pelo menos 80% dos recursos previamente repassados e à prestação de contas à Auditoria Socioeconômica da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A iniciativa busca garantir que a população afetada tenha acesso ao cuidado integral e humanizado em saúde mental. O objetivo é não apenas atender a demanda crescente, mas também estruturar a rede pública de forma permanente, deixando um legado para além do período emergencial de reparação. Apesar dos avanços, os desafios incluem a manutenção do serviço a longo prazo e a necessidade de monitoramento contínuo para evitar lacunas no atendimento.
Foto: Rogério Alves/TV Senado

