O ex-ministro da Justiça Anderson Torres voltou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma acareação com o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, e o ex-comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro-do-ar Carlos Baptista Júnior.
No pedido enviado ao ministro Alexandre de Moraes na última quinta-feira (6), Torres argumenta que a acareação pode esclarecer sua relação com os comandantes durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A defesa do ex-ministro aponta que a Polícia Federal (PF) ignorou pedidos anteriores de novas oitivas e quebras de sigilo de registros de comunicação.
Torres foi indiciado pela PF no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2023. Segundo a investigação, os ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica forneceram elementos que indicariam a participação de Torres no núcleo jurídico do grupo investigado. No entanto, a defesa sustenta que o ex-ministro não participou dessas reuniões e que novas oitivas poderiam esclarecer pontos considerados vagos nos depoimentos prestados.
Preso em janeiro de 2023 sob suspeita de omissão nos ataques de 8 de janeiro, quando era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Torres também teve em sua casa uma minuta de teor golpista. Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele negou qualquer intenção golpista do documento, classificando-o como “lixo, loucura e folclore”.
A prisão preventiva de Torres foi revogada em 11 de maio de 2023, e ele atualmente cumpre prisão domiciliar, sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. Além disso, está proibido de deixar o Distrito Federal e utilizar redes sociais.
Torres também foi indiciado em outro inquérito, que investiga o uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para impedir eleitores de votarem em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante as eleições presidenciais de 2022.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

