Durante reunião do Brics, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da governança digital e alertou sobre os riscos da desinformação promovida por grandes corporações. Segundo ele, a inteligência artificial não pode excluir o Sul Global e deve ser desenvolvida de forma equitativa.
“Grandes corporações não têm o direito de silenciar e desestabilizar nações inteiras com desinformação. Mitigar os riscos e distribuir os benefícios da revolução digital é uma responsabilidade compartilhada”, afirmou Lula.
O presidente anunciou que o Brasil, que lidera o Brics em 2025, apresentará uma proposta de governança para a inteligência artificial. Ele defendeu que o Estado deve ocupar um papel central no debate sobre o tema. “O interesse público e a soberania digital devem prevalecer sobre a ganância corporativa”, ressaltou.
A reunião contou com a presença dos representantes dos 11 países-membros do Brics e de embaixadores de nações parceiras, que não possuem direito a voto. Lula reforçou seu compromisso com o multilateralismo e criticou práticas unilaterais que desestabilizam a ordem global.
Sem citar nomes, Lula fez referência a decisões do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como a retirada do país da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Sabotar os trabalhos da OMS é um erro com sérias consequências. Fortalecer a arquitetura global de saúde, com a OMS em seu centro, é fundamental para garantir um acesso justo e equitativo a medicamentos e vacinas”, pontuou.
O presidente também alertou sobre os perigos da política baseada na lei do mais forte, afirmando que essa abordagem pode levar a instabilidade e conflitos. “O recurso ao unilateralismo solapa a ordem internacional. Quem aposta no caos e na imprevisibilidade se afasta dos compromissos coletivos que a humanidade precisa urgentemente assumir”, afirmou.
Atualmente, o Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Há expectativa de que, na cúpula de líderes do grupo em julho, no Rio de Janeiro, novos países parceiros possam ser convidados a integrar o bloco, incluindo Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
A escolha do Rio de Janeiro como sede da cúpula se deve à presidência brasileira do Brics em 2025. Entre as prioridades do Brasil no comando do bloco estão a cooperação em saúde global, comércio e investimentos, combate à mudança climática, governança da inteligência artificial, reforma do sistema multilateral de paz e segurança e o fortalecimento institucional do Brics.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

