Sob um céu nublado que refletia o sentimento de tristeza da cidade, a sede da Prefeitura de Belo Horizonte foi tomada, nesta quinta-feira (27), por uma onda de comoção, silêncio e homenagens. Familiares, servidores, amigos e lideranças políticas se reuniram no saguão principal do prédio para dar o último adeus ao prefeito Fuad Noman, falecido na quarta-feira (26), aos 77 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória e falência renal.
O velório, com caixão aberto e coberto pela bandeira da capital mineira, foi marcado por emoção intensa. Ao lado do corpo, estavam a esposa, Mônica Drummond, os filhos Paulo Henrique e Gustavo Noman, os netos — com idades entre 11 e 18 anos — e as irmãs do prefeito. Durante mais de duas horas, a população passou em silêncio, prestando suas últimas homenagens. Uma das irmãs de Fuad, bastante abalada, fez questão de abraçar populares que se emocionavam e rezavam junto à família.
Em entrevista à imprensa, Gustavo Noman destacou o perfil afetuoso do pai. “Ele era um homem muito família. Os netos eram sua maior alegria. Sempre nos ensinou sobre amor, compromisso e trabalho. Mesmo no hospital, ele se animava quando tratava de assuntos da Prefeitura. Era como se ela fosse parte dele.”
No momento mais marcante da cerimônia, uma oração foi conduzida antes do fechamento do caixão. Católico e devoto de Padre Eustáquio, Fuad foi lembrado por sua fé e serenidade. Ao som espontâneo de “Segura na mão de Deus”, entoado por populares na avenida Afonso Pena, a multidão aplaudiu e gritou “Fuad prefeito” em uma despedida tocante.
Servidores públicos e assessores, muitos emocionados, destacaram a postura ética, respeitosa e humana do prefeito. Para eles, Fuad era um gestor firme, mas empático, que prezava pelo diálogo e evitava disputas ideológicas. Colegas políticos ressaltaram seu perfil técnico e conciliador.
A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), afirmou: “Fuad sempre prezou pelo diálogo, independentemente de partido. Ele escutava as pessoas e tratava todos com respeito. Seu legado é o de um gestor comprometido com o bem público.”
Apesar do ambiente carregado de emoção, o tom político permaneceu discreto. O vice-prefeito Álvaro Damião (União Brasil), que assumiu interinamente a gestão desde janeiro, acompanhou a família durante toda a cerimônia e reafirmou seu compromisso de dar continuidade ao trabalho de Fuad. Estiveram presentes também os presidentes do PSD, Gilberto Kassab e Cássio Soares, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, além de deputados e vereadores.
Fuad estava internado desde 3 de janeiro, apenas dois dias após iniciar oficialmente seu novo mandato. Em 2023, enfrentou um linfoma não Hodgkin testicular, que entrou em remissão em outubro. Contudo, a baixa imunidade causada pelo tratamento desencadeou complicações neurológicas e infecções sucessivas. Em março, seu quadro clínico se agravou, e ele não resistiu.
Servidor público de longa trajetória, Fuad construiu uma carreira sólida como técnico antes de se tornar uma figura política de destaque. Atuou como secretário de Fazenda e de Obras em diferentes governos estaduais e foi vice-prefeito de Alexandre Kalil em 2020. Assumiu o comando da capital em 2022, após a renúncia de Kalil, e consolidou sua imagem ao longo da gestão.
Durante a campanha de 2024, Fuad transformou sua figura de vice discreto em um prefeito reconhecido pela população. Com tom sereno, postura simples e visual característico — conhecido como “o vovô dos suspensórios” —, conquistou a aprovação popular e se reelegeu com apoio expressivo. Segundo aliados, tinha grande entusiasmo com o início de um mandato legitimado nas urnas.
Após o velório, o corpo do prefeito seguiu em cortejo pelas ruas da capital e foi sepultado no Cemitério do Bonfim, em uma cerimônia reservada à família. A cidade, emocionada, despediu-se de um gestor que deixou como marca a empatia, o diálogo e o compromisso com o bem comum.
Foto: Flávio Tavares

