Enquanto o diretório nacional do Partido Novo definiu Renato Pereira como o responsável pela comunicação do governador Romeu Zema, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, tem articulado um projeto político com traços próprios. Em fase final de negociação com o publicitário Alberto Lage, Simões busca um caminho alternativo ao adotado por seu colega de chapa.

Lage foi responsável pela comunicação do ex-prefeito Alexandre Kalil e também assinou a campanha de Gabriel Azevedo à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024. Azevedo terminou em quarto lugar, surpreendendo ao superar nomes tradicionais da esquerda, como Duda Salabert (PDT) e Rogério Correia (PT). Aliados de Simões acreditam que uma estratégia semelhante à usada por Azevedo pode ser eficiente, considerando que o vice-governador marcou 4% das intenções de voto na última pesquisa Quaest.

A movimentação de Simões ocorre em paralelo ao projeto nacional conduzido por Renato Pereira. Contratado pelo diretório nacional, o marqueteiro tem como missão fortalecer o Novo em nível federal, com foco em ultrapassar a cláusula de barreira e preparar a possível candidatura presidencial de Zema. Por ora, não há sinal de que as pré-candidaturas de Simões ao governo mineiro ou de Marcelo Aro (PP) ao Senado estejam incluídas nesse escopo.

Antes, sob a coordenação de Leandro Grôppo, a comunicação do governo estadual priorizava figuras políticas de Minas, já que o contrato estava sob responsabilidade do diretório estadual. Com a mudança para um comando nacional, Simões passou a avaliar caminhos próprios. Apesar de compartilhar o mesmo palanque, o vice-governador adota um discurso mais moderado do que Zema, que se alinha ao eleitorado de direita.

Com o bolsonarismo concentrando esforços na candidatura do senador Cleitinho (Republicanos), o campo da centro-esquerda segue indefinido. O principal nome cotado, Rodrigo Pacheco (PSD), tem reiterado que não disputará o governo. Isso poderia abrir espaço para Simões se consolidar como alternativa viável. Nos bastidores, há até rumores de que ele poderia migrar para o PSD, o que ele nega veementemente.

Procurado, Simões rechaçou qualquer articulação pessoal com marqueteiros. “O Novo é que cuida disso, para mim e para o Zema. Já estamos organizados para o desafio”, afirmou.

Enquanto isso, Cleitinho, líder na última Quaest com 33%, avalia contratar Leandro Grôppo, mas diz que negocia “apenas com Deus”.

Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG


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