O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Zucco (PL-RS), anunciou que protocolará nesta sexta-feira, 2, uma representação criminal contra o ministro da Previdência, Carlos Lupi, por suposta omissão no caso das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Polícia Federal estima que o esquema gerou prejuízo de R\$ 6,3 bilhões, afetando milhares de aposentados e pensionistas.
A representação destaca que Lupi teria se omitido, mesmo tendo conhecimento prévio das irregularidades. O documento solicita que, caso surjam indícios suficientes, a investigação seja encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pede também o afastamento do ministro.
“Não lhe faltavam atribuições legais e regimentais, nem ferramentas institucionais para adotar medidas de controle e impedir os descontos ilegais nos benefícios”, argumentou Zucco.
A oposição sustenta que Lupi foi alertado em junho de 2023 sobre o aumento de denúncias envolvendo descontos não autorizados em benefícios do INSS, mas não teria adotado providências durante dez meses, conforme registros de reuniões do Conselho Nacional de Previdência Social.
Apesar das pressões, o governo sinaliza que Lupi continuará no cargo. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu sua permanência, mas declarou que, caso surjam fatos novos, o afastamento será avaliado.
O líder do PDT na Câmara, deputado Mário Heringer (MG), criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise e alertou que a demissão de Lupi poderia levar o partido a rever sua posição na base governista.
Na quarta-feira, a oposição também protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes. A decisão sobre a criação cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em audiência na terça-feira, Lupi defendeu sua atuação, alegando que fraudes semelhantes ocorreram em gestões anteriores e que os responsáveis pelo esquema começam a ser identificados.
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