O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destacou nesta quarta-feira (4), durante a abertura do 11º Fórum Parlamentar do Brics, a relevância do diálogo internacional e do respeito às diferenças políticas como fundamentos essenciais para a paz e o progresso. Realizado em Brasília, o evento reúne representantes de 19 delegações parlamentares e cerca de 230 participantes, com discussões voltadas à cooperação global, sustentabilidade e governança.

Em seu discurso, Alcolumbre enfatizou a função estratégica dos parlamentos como articuladores entre os interesses da população e os centros globais de decisão. “Somos o elo necessário entre os interesses dos povos que representamos e as instâncias de decisão global. Somos, cada parlamento, a voz do nosso povo. Ao participarmos deste fórum, reforçamos o compromisso de que as vozes da sociedade, a nossa cultura e a nossa história estejam presentes nos grandes debates do mundo”, afirmou.

O presidente do Senado classificou o fórum como um “símbolo forte da cooperação internacional” e destacou a importância de debater temas centrais como a reforma da arquitetura multilateral de segurança, a saúde pública em tempos de emergência, os avanços da inteligência artificial e a sustentabilidade ambiental. Ele ressaltou a necessidade de que desenvolvimento econômico e sustentabilidade caminhem lado a lado, demandando cooperação e uma diplomacia parlamentar vibrante.

Outro ponto enfatizado por Alcolumbre foi a representatividade feminina no evento. Segundo ele, a presença ativa das mulheres no fórum é uma conquista que deve ser reconhecida. “A sociedade se fortalece quando incorpora a perspectiva feminina nas decisões políticas. Nos orgulhamos de sediar um encontro que tem como um de seus pilares o protagonismo das mulheres”, declarou.

A ampliação da participação de países no Brics também foi citada como fator simbólico e estratégico. “Somos diversos, mas unidos pela busca de justiça social, equilíbrio geopolítico e desenvolvimento sustentável. Representamos 40% do Produto Interno Bruto mundial, mais do que o G7 unido, e cerca de 25% do comércio internacional”, destacou Alcolumbre, manifestando otimismo com a expansão futura do bloco.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também participou da abertura do fórum e defendeu uma reforma abrangente das instituições multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). Ele argumentou que os atuais mecanismos de decisão global não refletem mais a realidade geopolítica contemporânea. “É inaceitável que as estruturas decisórias da ONU ainda estejam baseadas em um mundo pós-Segunda Guerra. Precisamos fortalecer a voz dos países emergentes e em desenvolvimento da América Latina, da África e da Ásia”, afirmou.

Representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em missão oficial na França, o vice-presidente Geraldo Alckmin também participou do evento. Ele destacou o papel do Brics diante das transformações globais e defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU. “O Brasil reafirma seu compromisso com soluções negociadas para conflitos e com uma governança global mais justa e representativa. O Brics deve atuar de maneira construtiva em prol da paz”, afirmou.

O senador Humberto Costa (PT-PE), coordenador parlamentar do Brics no Senado, também defendeu a renovação das instituições multilaterais. Para ele, a ONU e a Organização Mundial do Comércio (OMC) permanecem ancoradas em estruturas desatualizadas. “Esses sistemas estão desenhados com base em cenários da década de 1950 e ignoram a ascensão de novos protagonistas na política global”, criticou.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, participou como representante da Corte e destacou a importância da diplomacia parlamentar. “O evento representa uma oportunidade ímpar para aprofundar o diálogo interparlamentar e fortalecer a cooperação entre nossas nações. É um instrumento essencial à construção de pontes entre os povos”, afirmou.

Também presente à cerimônia, a embaixadora Maria Laura da Rocha, ministra substituta das Relações Exteriores, enfatizou que a agenda do fórum está alinhada às prioridades brasileiras para a presidência do Brics em 2025. “Essa convergência entre Executivo e Legislativo reforça o compromisso do Brasil com uma atuação coordenada e voltada para resultados concretos nas áreas de saúde, sustentabilidade, inclusão econômica e governança digital”, destacou.

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, entregou aos presidentes das duas casas legislativas um resumo da reunião entre os presidentes das comissões parlamentares de relações exteriores dos países membros. Ele ressaltou a importância de combater o protecionismo e o unilateralismo, e de promover o fortalecimento institucional do Brics com base nos princípios do livre comércio. “É essencial retomarmos uma ordem internacional baseada em regras claras e inclusivas”, afirmou.

A senadora Leila Barros (PDT-DF), líder da bancada feminina no Senado, apresentou a síntese dos debates entre mulheres parlamentares do bloco. Ela alertou para os riscos da inteligência artificial em relação aos direitos das mulheres. “A tecnologia deve ser uma ferramenta de empoderamento, não de exclusão. Precisamos de mecanismos globais para prevenir a violência digital e garantir a integridade de mulheres e meninas. Também é fundamental tipificar crimes virtuais contra mulheres e responsabilizar plataformas digitais”, defendeu.

Antes da sessão de abertura, os presidentes do Senado e da Câmara recepcionaram os representantes dos países-membros e parceiros do Brics. As delegações subiram a rampa do Congresso Nacional em direção ao Salão Negro, onde foi feita a tradicional foto oficial do evento.

Com uma programação extensa, o 11º Fórum Parlamentar do Brics discute até quinta-feira (5) temas como saúde global, sustentabilidade, governança da inteligência artificial e reformas institucionais. A expectativa é de que as discussões avancem na consolidação de um novo modelo de cooperação internacional, com os parlamentos desempenhando um papel central na construção de consensos globais.

A realização do fórum em Brasília reafirma o protagonismo brasileiro no cenário internacional e reforça a importância da diplomacia parlamentar como mecanismo essencial para uma governança global mais inclusiva, representativa e orientada por resultados.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


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