O presidente do PSD, Gilberto Kassab, mantém um posicionamento claro para 2026: o partido terá candidato próprio à Presidência da República ou apoiará o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Apesar disso, um dos quadros mais destacados da sigla, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já comunicou que pretende atuar diretamente na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante um jantar recente com Kassab e os presidenciáveis Ratinho Júnior e Eduardo Leite, Silveira foi categórico: quer repetir o papel de coordenador da campanha de Lula, posição que já ocupou em 2022. “Se o Lula for candidato, eu sou Lula Futebol Clube e coordenador da campanha dele. Não há quem me convença a ficar distante. Minha lealdade é total”, afirmou o ministro.

Secretário-geral nacional do PSD e presidente do partido em Minas Gerais, Silveira garantiu que não vê constrangimento em sua decisão, mesmo com o PSD debatendo lançar candidatura própria. “No PSD, Kassab é disparado, o maior líder partidário do país. Ele sempre conseguiu harmonizar os interesses locais com o projeto nacional. Não tenho dúvida de que ele entenderá minha posição”, explicou.

Kassab, por sua vez, também tem seus próprios planos eleitorais e defende a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao governo de Minas. Durante o jantar, Silveira reafirmou seu apoio à ideia, destacando que tem trabalhado para convencer Pacheco a disputar o cargo.

“Sou defensor de que não há salvação fora do presidente Lula em 2026. Não vejo uma solução razoável no campo adversário. Os opositores do presidente continuam representando uma ameaça grave à estabilidade democrática, econômica e social do país. Instabilidade democrática traz consequências econômicas diretas”, avaliou Silveira.

Para ele, o cenário futuro da direita deve continuar orbitando em torno da família Bolsonaro. “A solução da direita será caseira, familiar. A única liderança com visão de estadista que temos hoje no Brasil é o presidente Lula. Ele não trabalha em função de projeto político pessoal ou partidário. Seu projeto é o legado de um país mais justo”, declarou.

Silveira foi ainda mais enfático sobre seu papel em 2026: “Se o presidente Lula for candidato, estou com ele incondicionalmente. Se ele achar que não devo ser candidato a outro cargo e quiser que eu coordene sua campanha, assim será. Faço questão de tornar isso público. Se houver qualquer empecilho partidário, basta ele me pedir que estarei à disposição para coordenar a campanha”, reforçou.

O ministro também elogiou Kassab como articulador político: “Ele conhece profundamente a gênese do partido. Fundamos o PSD juntos. Kassab sempre atuou para unir o partido, respeitando as peculiaridades regionais. Tenho certeza de que continuará assim”, disse.

Quanto ao cenário eleitoral, Silveira pondera que ainda é cedo para definições definitivas. “É muito prematuro cravar qualquer coisa diante de um país tão convulsionado politicamente. Mas reafirmo: não há alternativa viável fora do presidente Lula em 2026”, declarou.

Ele também acredita que Lula dificilmente deixará de disputar um novo mandato. “Não vejo possibilidade de ele não ser candidato, pelo que representa. Ele é hoje a única barreira real contra a volta da insanidade política. Se, por algum motivo, não disputar, o quadro eleitoral ficará totalmente indefinido. Vai depender do caminho que o PT decidir seguir: lançar um nome próprio ou construir uma ampla coalizão para impedir a regressão política no país”, analisou.

Silveira afirmou que seu maior compromisso é ajudar a reeleger Lula, mais do que postular qualquer cargo. “O mais importante para mim é eleger o presidente Lula. Me considero mais útil ao projeto nacional do presidente do que a qualquer ambição pessoal. Se ele me indicar para um projeto em Minas, estou pronto. Minha trajetória é diversa, já atuei no Executivo e no Legislativo. Onde ele precisar, estarei”, afirmou.

Por fim, reiterou seu apoio a Rodrigo Pacheco. “Gostaria muito que ele aceitasse ser candidato ao governo de Minas. Tenho trabalhado para isso e acredito que seria uma excelente opção para o estado”, concluiu.

 

Foto Ricardo Stuckert/PR