A Polícia Federal indiciou integrantes da atual cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no inquérito que apura a existência de uma estrutura clandestina de monitoramento dentro do órgão. Entre os indiciados estão o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa; o chefe de gabinete, Luiz Carlos Nóbrega; e o corregedor-geral, José Fernando Chuy. Todos são delegados de carreira da Polícia Federal e foram nomeados durante o governo Lula.

Mais de 30 pessoas foram indiciadas no caso. A investigação teve início após reportagem publicada em março de 2023 revelar que a Abin adquiriu um sistema de espionagem capaz de rastrear a localização de alvos em tempo real. A operação clandestina ficou conhecida como “Abin paralela”.

De acordo com a PF, a atual direção da Abin teria dificultado o acesso a dados essenciais para a investigação, caracterizando obstrução de Justiça. Em depoimento, o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa negou qualquer irregularidade.

Entre os demais indiciados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. Todos negam envolvimento nas atividades ilegais e, até o momento, não comentaram oficialmente o indiciamento. A Abin afirmou que está “à disposição das autoridades” e destacou que os fatos investigados ocorreram em “gestões passadas”.

Segundo a PF, a estrutura clandestina produziu dossiês ilegais, monitorou clandestinamente milhares de cidadãos e espalhou desinformação sobre autoridades dos Três Poderes, ex-candidatos à Presidência, jornalistas e servidores públicos. Os investigadores apontam que a operação teria sido comandada por Jair Bolsonaro, com execução sob a gestão de Alexandre Ramagem.

Com base em dados extraídos de celulares e antenas, o sistema era capaz de identificar a localização exata ou o último ponto conhecido dos alvos de interesse.

Entre os espionados estariam o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso; os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Dias Toffoli; o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); o ex-deputado Rodrigo Maia; e o ex-governador paulista João Doria, que foi pré-candidato à Presidência da República.

Além de Ramagem, também foram indiciados o policial federal Marcelo Bormevet e o subtenente do Exército Giancarlo Gomes Rodrigues, ambos ligados à cúpula da Abin na época das operações. Eles também negam qualquer uso indevido das ferramentas da agência.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

 

 


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