As acareações autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado, não contarão com transmissão ao público nem presença de jornalistas. Diferentemente dos interrogatórios anteriores de réus e delatores, esses encontros serão realizados de forma reservada, e os registros das sessões só serão disponibilizados posteriormente nos autos do processo.
Entre os confrontos autorizados está o do tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso, com o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil. A medida tem como objetivo esclarecer a acusação feita por Cid, segundo a qual teria recebido dinheiro de Braga Netto em uma caixa de vinho. O general nega qualquer envolvimento com o financiamento de ações golpistas e afirmou que Cid mentiu em seus depoimentos. A acareação entre os dois está marcada para terça-feira, 24 de junho, às 10h, no Supremo. Braga Netto, que está preso no Rio de Janeiro, recebeu autorização judicial para ser transferido temporariamente a Brasília.
Outro encontro relevante ocorrerá no mesmo dia, às 14h, entre o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. A acareação busca esclarecer a divergência entre as versões prestadas por ambos sobre a suposta participação de Torres em uma reunião com teor golpista, mencionada por Freire Gomes.
As acareações ocorrem em meio à fase final da instrução do processo.
Foto: Fellipe Sampaio /STF

