As assembleias que discutem a adoção do modelo cívico-militar em escolas públicas foram temporariamente suspensas a partir desta segunda-feira (14/7). A decisão levou em conta o período de recesso escolar, que pode dificultar a participação de pais e responsáveis nas reuniões decisivas para o futuro das instituições de ensino.

“Chegamos a essa conclusão devido ao período de férias. Muitos pais não iam conseguir participar, pois já tinham programado viagens. Então, queremos fazer tudo com o maior critério possível”, declarou o chefe do Executivo estadual.

Segundo ele, o processo é conduzido com ampla escuta. “Acreditamos muito nesse projeto e estamos fazendo ele ser totalmente democrático, cumprindo todos os tipos de audiência, escuta, tanto da comunidade escolar quanto de alunos e pais. Vale lembrar que, se aprovado, estaremos fazendo migração de algumas escolas. Vai ser muito importante para Minas Gerais ter essa diversidade de escolas. Nós estamos fazendo isso para melhorar a educação no estado”, acrescentou.

O secretário de Educação, Igor de Alvarenga, destacou a retomada das atividades para o início de agosto. “No dia 1º/8, os alunos e professores estarão de volta e, com isso, vão ter novas orientações para a retomada do processo de escuta. Todas as comunidades escolares que fizeram as assembleias antes desse período serão respeitadas. Vale lembrar que esse é um processo democrático, que a gente escuta os professores, alunos e os pais”, afirmou.

As consultas começaram em 30 de junho com a realização de Assembleias Extraordinárias nas escolas interessadas. A participação da comunidade escolar é registrada em ata, e o Termo de Manifestação de Interesse deve ser enviado por meio eletrônico. Mesmo com decisão favorável da assembleia, a adesão não é automática e dependerá de avaliação técnica.

A quantidade de escolas que adotarão o modelo e os valores a serem investidos serão definidos após o fim da fase consultiva. O objetivo principal é promover uma cultura de paz, ampliar o sentimento de pertencimento e garantir melhorias na educação pública.

O projeto tem caráter de gestão compartilhada, com a colaboração de instituições militares, e busca introduzir valores cívicos e disciplinares no cotidiano escolar. A iniciativa não substitui o conteúdo pedagógico, mas propõe uma reorganização do ambiente escolar com ênfase na ética, respeito e responsabilidade.

Desde 2020, a implementação do modelo vem sendo acompanhada por indicadores positivos. Um dos principais exemplos é a Escola Estadual Princesa Isabel, em Belo Horizonte. Nessa unidade, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino médio subiu de 5,1, em 2019, para 6,2, em 2023.

Além disso, a evasão escolar caiu significativamente: de 4,92%, em 2022, para 2,96%, em 2023. As taxas de aprovação também registram bons índices: 92% nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e 82,8% no ensino médio, segundo o Censo Escolar.

A Pesquisa de Clima Escolar de 2024 também apontou melhorias na convivência e no engajamento dos estudantes, com notas entre 4,36 e 5,69. Os dados reforçam a percepção de que o modelo cívico-militar tem contribuído para um ambiente educacional mais organizado, seguro e acolhedor.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


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