A queda dos preços da gasolina observada em maio trouxe alívio para consumidores e ajudou a reduzir a pressão sobre a inflação oficial do país. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o combustível registrou retração de um vírgula quarenta e seis por cento no período, tornando-se o item que mais contribuiu para conter o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
O resultado ocorreu após dois meses consecutivos de aumentos provocados pela instabilidade internacional gerada pelo conflito no Oriente Médio. As tensões na região afetaram a produção e a logística global do petróleo, elevando os preços dos combustíveis em diversos países. No Brasil, os reflexos também foram sentidos nos postos, especialmente nos meses de março e abril.
Segundo especialistas do IBGE, dois fatores principais explicam a redução observada em maio. O primeiro deles foi a queda no preço do etanol. Com maior disponibilidade do produto no mercado, o combustível renovável ficou mais barato, ampliando sua competitividade diante da gasolina. Como grande parte da frota brasileira é composta por veículos flex, capazes de utilizar ambos os combustíveis, a redução no valor do etanol influencia diretamente o comportamento dos preços da gasolina.
A maior oferta de etanol está relacionada ao desempenho da safra de cana-de-açúcar. As condições de mercado favoreceram a produção do biocombustível, aumentando a disponibilidade para distribuição e pressionando os preços para baixo. Com isso, distribuidoras e postos precisaram ajustar valores para manter a competitividade diante da preferência dos consumidores.
Outro fator apontado para a queda foi a política de subvenção adotada pelo governo federal. O mecanismo funciona como uma compensação financeira destinada a produtores e importadores de combustíveis, reduzindo parte dos custos e permitindo que os preços ao consumidor final permaneçam em níveis mais baixos.
A estratégia foi utilizada para evitar que a alta internacional do petróleo provocasse um choque inflacionário mais intenso na economia brasileira. Mesmo após reajustes promovidos pela Petrobras, parte dos aumentos acabou absorvida pelo mecanismo de compensação, reduzindo o impacto nas bombas.
O óleo diesel também foi beneficiado pela política de apoio ao setor. O combustível apresentou queda significativa em maio, ajudando a reduzir os custos do transporte rodoviário e contribuindo para aliviar parte das pressões inflacionárias sobre a economia.
Apesar da redução nos combustíveis, especialistas observam que os custos logísticos ainda exercem influência sobre diversos segmentos, especialmente o setor de alimentos. Mesmo com a desaceleração do frete, parte dos efeitos acumulados nos meses anteriores continua sendo repassada aos preços de produtos consumidos pela população.
O cenário internacional permanece como um fator de atenção. O conflito envolvendo importantes regiões produtoras de petróleo provocou alterações no fluxo global de energia e elevou os preços da commodity nos mercados internacionais. Como o petróleo é negociado mundialmente e influencia diretamente os custos dos combustíveis, oscilações externas continuam sendo acompanhadas de perto por governos, empresas e consumidores. Ainda assim, a combinação entre maior oferta de etanol e medidas de compensação permitiu que a gasolina registrasse queda relevante, ajudando a conter a inflação e proporcionando alívio temporário para motoristas e para a atividade econômica brasileira.
Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

