O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou a parlamentares nesta quarta-feira (17) que a Lei da Reciprocidade Econômica será acionada pelo governo brasileiro apenas como última alternativa. A declaração ocorreu durante reunião com congressistas para discutir a elevação de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo dos Estados Unidos. “Nosso foco é o diálogo. A reciprocidade só será usada caso todas as tentativas diplomáticas falhem”, disse Alckmin.
Mais cedo, o governo federal divulgou uma carta enviada na véspera à Casa Branca expressando “indignação” com a medida adotada pelo presidente Donald Trump e cobrando resposta à proposta de negociação enviada pelo Palácio do Planalto. “Estamos dispostos a conversar e resolver isso no campo diplomático. Mas a soberania brasileira será respeitada”, pontuou o vice-presidente.
O encontro também contou com a presença do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Em nota conjunta divulgada após a reunião, os presidentes da Câmara e do Senado asseguraram que o Congresso Nacional atuará em conjunto com o governo federal para reagir à medida imposta pelos Estados Unidos. “O Brasil não aceitará passivamente essa agressão econômica. O Parlamento estará ao lado do Executivo na defesa da indústria nacional”, afirmaram.
Durante a reunião, Alckmin relatou os impactos que os setores produtivos brasileiros já enfrentam, mesmo antes da tarifa entrar oficialmente em vigor. “Os prejuízos começaram a aparecer. Precisamos agir com inteligência e firmeza”, disse o vice-presidente. Ele também mencionou a regulamentação recente da Lei da Reciprocidade Econômica, publicada pelo governo na terça-feira. A norma permite ao Brasil aplicar tarifas específicas e se retirar de acordos comerciais em caso de guerras tarifárias.
A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, acompanhou Alckmin em outra reunião com empresários para debater medidas práticas de enfrentamento. “Estamos mobilizando o setor produtivo para reagir com responsabilidade e união”, declarou.
Parlamentares presentes na reunião relataram um ambiente de cooperação entre Congresso e Executivo, independentemente de colorações partidárias. “É um momento de união nacional”, disse um dos deputados presentes.
Apesar da mobilização, congressistas do centro destacaram que o governo falhou ao não manter um canal mais estreito com a administração Trump desde o início do atual mandato. “A diplomacia deveria ter sido mais ativa, especialmente sabendo do histórico de alinhamento entre Trump e Bolsonaro”, avaliou um senador.
Com o objetivo de distensionar a situação, um grupo de senadores brasileiros deve visitar Washington no fim do mês. A missão oficial atende a um convite feito por Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA no Brasil. A comitiva buscará reuniões com parlamentares norte-americanos para tentar restabelecer o diálogo e conter os efeitos econômicos do tarifaço.
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