O Partido dos Trabalhadores (PT) e outras legendas aliadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgaram nesta quarta-feira (23) um manifesto em apoio ao Supremo Tribunal Federal (STF), em reação às sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra ministros da Corte brasileira. O documento expressa “indignação” diante da decisão norte-americana de revogar os vistos de oito dos onze ministros do STF.

Segundo o texto, as medidas representam “uma ingerência espúria no processo democrático brasileiro” e um ataque direto à soberania nacional. “Este gesto indevido, agressivo e sem precedentes nas relações bicentenárias de nossos países torna-se ainda mais grave por sua manifesta motivação política”, afirma o manifesto.

A nota é assinada por presidentes de sete partidos políticos da base de sustentação do governo Lula: o senador Humberto Costa (PT-PE), João Campos (PSB-PE), Carlos Lupi (PDT), Paula Coradi (PSOL), Luciana Santos (PCdoB), José Luiz Penna (PV) e Comte Bittencourt (Cidadania). Os signatários classificam as sanções como um desrespeito à independência do Judiciário brasileiro.

Desde o dia 7 de julho, o STF tem sido alvo de críticas por parte do governo Trump. Na ocasião, o presidente norte-americano declarou apoio a Jair Bolsonaro e chamou de “caça às bruxas” o processo que corre contra o ex-presidente no STF. Bolsonaro responde por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.

Dois dias depois, em 9 de julho, Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O manifesto das lideranças partidárias condena o uso de “interesses políticos” como justificativa para decisões comerciais, argumentando que as negociações sobre tarifas devem ocorrer exclusivamente no campo econômico. “O debate tarifário deve ser conduzido com base em critérios técnicos e comerciais, como propõem o governo brasileiro e o setor produtivo nacional”, defende o texto.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro, impôs medidas cautelares ao ex-presidente na sexta-feira (18). A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que Bolsonaro tentou interferir no processo judicial usando pressões diplomáticas e econômicas contra o Brasil.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

 


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