A Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa, realizou, nesta terça-feira, 3, uma Audiência Pública, solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira. O intuito era debater os impactos do processo de privatização do metrô de Belo Horizonte na qualidade dos serviços prestados à população, nas finanças do Estado e no destino dos servidores da CBTU, responsável pelo serviço de transporte.

A advogada do Sindimetro MG, Leandra de Oliveira, disse que é impossível existir metrô sem subsídio e destacou a informação do BNDES de que a operação do metrô de BH vai se manter com arrecadação de tarifa, mas isso seria impossível no nosso caso, necessitando de aporte de recursos estaduais.

O Presidente do SINDIMETRO MG, Romeu Neto, criticou a privatização do metrô: “É uma grave situação. Na modelagem proposta para privatização, não há previsão de subsídio para o transporte. Mas o metrô não se sustenta sem isso. Assim, o Estado vai acabar tendo q pagar essa conta“.

O presidente da da Associação dos Usuários de Transporte Coletivo de BH e RMBH, Francisco Maciel acredita que o metrô seja “modo de transporte estruturante” e que deveria ser priorizado. “São empresários de ônibus que não deixam o metrô progredir, com imposição de força política e empresarial.”

O coordenador do Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos, Gustavo Machado afirma que investimento em metrô leva de 30 a 40 anos para ter algum retorno. “Qual setor privado vai aguardar esse período? Nenhum”. “Uma suposta venda da CBTU não vai gerar ampliação do metrô. Nenhum investidor colocaria seu dinheiro em algo que não traria retorno. Metrô no Rio e na Bahia, únicos não subsidiados do País, tiveram que aumentar muito a tarifa para conseguir lucro, diminuindo usuários”, disse.

A deputada estadual Beatriz Cerqueira, autora do requerimento para a audiência, destacou que os dados disponibilizados na audiência mostram que a privatização do metrô só atende interesses de empresários e em nada a população. Ela questiona o uso de recursos públicos – do acordo da Vale – que devem ser usados para a melhoria do metrô e não para a privatização como o governo estadual pretende fazer. Já aprovamos na Comissão de Administração o questionamento no Tribunal de Contas do Estado contra esses investimentos públicos usados na privatização.

“A população de BH e região tem pago uma conta cara pela precarização do transporte público. Nosso objetivo é abrir na Assembleia Legislativa- o debate sobre o metrô e parabenizo os metroferroviários que compreenderam a tática das empresas de ônibus de precarizar o atendimento à população para o reajuste da tarifa e suspenderam a greve do metrô de BH mesmo não tendo atendidas as suas reivindicações pela CBTU”, avaliou.

Crédito da foto: Rosana Zica


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