O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou neste sábado que houve um planejamento de golpe no Brasil, porém negou que tenha ocorrido crime na movimentação. Em suas falas, ele ainda minimizou os atos de 8 de janeiro de 2023, classificando os participantes como pessoas sem estrutura ou organização.

“Houve um planejamento de golpe, mas nunca teve o golpe efetivamente. No Brasil, a lei diz o seguinte: se você planejar um assassinato, mas não fez nada, não tentou, não é crime. O golpe não foi crime”, afirmou Valdemar. Ele criticou a interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os episódios ocorridos em Brasília. “O grande problema nosso é que teve aquela bagunça no 8 de janeiro e o Supremo diz que aquilo foi golpe. Olha só, que absurdo: camarada com pedaço de pau, um bando de pé de chinelo quebrando lá na frente, e eles falam que aquilo é golpe.”

As declarações foram feitas durante um painel em um evento de luxo do setor equino na cidade de Itu, interior de São Paulo. O debate contou ainda com a participação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e foi mediado pelo deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de classificar como exagerada a decisão do STF que condenou Bolsonaro e outros sete réus, Valdemar ressaltou que o veredicto precisa ser respeitado. “A decisão foi muito dura, mas deve ser respeitada”, disse o dirigente partidário.

A fala de Valdemar rapidamente repercutiu nas redes sociais, sendo usada por opositores como prova de articulações golpistas. Já entre bolsonaristas, houve reações contrárias. A deputada federal Carol de Toni, sem citar o nome de Valdemar, afirmou em sua conta no X que “não houve tentativa de golpe no 8 de janeiro”.

Na última quinta-feira, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro e sete aliados por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Alexandre de Moraes, relator do caso, votaram pela condenação, enquanto Luiz Fux defendeu a absolvição. É a primeira vez que um ex-presidente brasileiro é condenado por tentativa de golpe.

Com a inelegibilidade de Bolsonaro, aliados já discutem alternativas para 2026. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, desponta como opção, embora publicamente afirme que pretende disputar apenas a reeleição estadual. Enquanto isso, outros nomes da direita começam a se movimentar para ocupar o espaço deixado por Bolsonaro.

Foto: Reprodução

 

 


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