O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, indicou a colegas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que seu antecessor, Luís Roberto Barroso, deve antecipar sua aposentadoria e deixar a Corte antes do prazo previsto. Em conversa reservada na tarde desta segunda-feira (6), durante uma visita institucional ao STJ, Fachin afirmou ter feito um apelo para que Barroso permaneça no tribunal, mas reconheceu que o colega parece decidido a encerrar o ciclo no Supremo.
De acordo com relatos de ministros presentes ao encontro, Fachin declarou que considera “uma pena para o Judiciário” a saída antecipada de Barroso. A reunião contou com cerca de vinte magistrados e faz parte de um roteiro de visitas que o atual presidente do STF pretende realizar a outros tribunais superiores.
“Barroso apresenta sinais trocados sobre a saída do Supremo. O que pesa mais é deixar a presidência do STF. De Shangri-la para a planície”, comentou um dos ministros que participou da conversa, em referência à mudança de Barroso da chefia da Corte para a vida fora do tribunal.
As especulações sobre uma possível aposentadoria antecipada ganharam força após declarações do próprio Barroso. Nesta segunda-feira, durante o XVII Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), em Salvador (BA), ele afirmou: “A vida é feita de muitos ciclos. A gente deve saber a hora de entrar e a hora de sair. Eu comecei a minha carreira no Supremo aqui e, de certa forma, estou terminando aqui”.
Inicialmente, Barroso havia sinalizado a seus auxiliares que permaneceria no cargo até o início de 2026. No entanto, suas recentes falas públicas e movimentos internos indicam que a saída pode ocorrer ainda neste ano. Nas próximas semanas, o ministro deve viajar à Europa para participar de um retiro espiritual promovido pelo grupo Brahma Kumaris, fundado na Índia em 1937 e dedicado à “transformação pessoal e à renovação mundial”. O período de afastamento será usado para uma reflexão sobre o futuro profissional e pessoal.
Segundo um interlocutor próximo ao ministro, “Barroso vai decidir sobre a aposentadoria levando em conta o lado pessoal e o institucional. Se o momento for de normalidade institucional, ele vai decidir apenas com base no lado pessoal”.
Essa fonte também destacou que o ministro acredita que o clima no país está se estabilizando, com a condenação dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro praticamente encerrada, o cenário político mais funcional e uma redução dos ataques ao Supremo. “Ele tem dito aos colegas que tende a querer sair, mas só fará isso se entender que não causará prejuízo ao tribunal”, acrescentou.
Barroso tem enfrentado um período de forte desgaste desde que foi alvo de sanções impostas pelo governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra magistrados brasileiros. O ministro teve seu visto norte-americano revogado e viu o filho, Bernardo Barroso, abandonar o cargo de diretor do banco BTG Pactual em Miami, onde residia. “O filho teve que deixar casa e emprego, e o ministro não pôde mais dar aulas em Harvard”, relatou uma fonte próxima ao magistrado.
As restrições impostas e a pressão política dos últimos anos, somadas ao peso institucional da presidência do STF, teriam contribuído para a decisão de Barroso de encerrar sua trajetória na Corte, onde atua desde 2013.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

