As últimas pesquisas eleitorais indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou terreno político e voltou a ser apontado como favorito para a eleição de 2026. Sua retomada de protagonismo eleitoral foi impulsionada por dois movimentos considerados decisivos: a reorganização de uma agenda social de forte apelo popular e o desgaste crescente da oposição, que se enredou em disputas internas e demonstrou desalinhamento estratégico. A política de isenção do Imposto de Renda para a base de menor renda reaproximou o governo de segmentos historicamente alinhados ao petismo e ajudou a reconstruir percepções positivas relativas à proteção social.
No outro campo, o gesto da oposição de homenagear os Estados Unidos com uma bandeira gigantesca na avenida Paulista, no dia 7 de setembro, acabou se tornando símbolo de desalinhamento com as prioridades nacionais. O gesto foi lido como submissão política e não como gesto diplomático. Analistas avaliam que a associação explícita ao ex-presidente Donald Trump nada tem acrescentado ao debate interno, já que tarifas unilaterais aplicadas pelos EUA não geram empregos no Brasil e ampliam tensões comerciais. Essa aposta política arrastou o bolsonarismo para uma narrativa considerada contraproducente no ambiente eleitoral.
Além disso, a direita atravessa um momento de fragmentação. Lideranças como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Romeu Zema não conseguem construir um eixo comum. A ausência de unidade favorece Lula, que exerce atualmente o papel de elemento agregador da esquerda, função antes improvável em um campo político historicamente marcado por divisões internas. O bolsonarismo, que no auge funcionou como motor de convergência, passou a produzir ruídos, operando hoje como obstáculo e não como força catalisadora.
A oposição ainda tenta reeditar o ambiente de 2018, ignorando que o contexto mudou completamente: Lula está no exercício da Presidência, Sergio Moro perdeu centralidade e Jair Bolsonaro se encontra em desgaste jurídico e político. Nesse novo arranjo, mesmo medidas administrativas entram no debate eleitoral, como o compromisso do governo em retomar políticas sociais: “Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição.”
Foto: Ricardo Stuckert / PR

