A cidade do Rio de Janeiro amanheceu em situação de normalidade nesta quarta-feira, após o intenso caos vivido na terça-feira (28). O cenário de instabilidade foi resultado da operação policial mais letal da história do estado, realizada pelas forças de segurança para combater o Comando Vermelho, que deixou um saldo trágico de pelo menos 64 mortos. Em retaliação direta à ação policial, os criminosos interditaram 35 ruas em diversos pontos da cidade, utilizando veículos atravessados, latões de lixo, barricadas improvisadas e pilhas de materiais em chamas. “A terça-feira foi marcada pelo medo e pela violência generalizada”.
Às 6h da manhã de hoje, o Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura anunciou que a cidade retornou ao Estágio 1, o menor em uma escala de cinco, que “significa que não há ocorrências de grande impacto” no momento. O Estágio 2 havia sido acionado às 13h48 de ontem, devido às inúmeras interdições nas ruas e aos severos problemas enfrentados pelos modais de transporte público.
Durante a madrugada, todas as ruas que ainda estavam bloqueadas por barricadas foram integralmente liberadas. A última via a ser desobstruída foi a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que conecta bairros das zonas norte e oeste, passando pelo Complexo de Favelas do Lins, às 2h45 da manhã.
Os transportes públicos também funcionam sem problemas ou alterações nesta manhã. De acordo com o COR, as operações dos ônibus, VLT, BRT, metrô, trens e barcas estão ocorrendo sem alterações em seus itinerários ou horários. Na terça-feira, por causa das interdições, mais de 200 linhas de ônibus tiveram seus itinerários interrompidos e alterados, e 71 coletivos foram usados pelos criminosos como barricadas.
No trem e no metrô, a alta e inesperada demanda de passageiros que tentou voltar para casa de forma antecipada no meio da tarde causou uma superlotação extrema nas estações e composições. A operação precisou ser urgentemente reforçada com carros extras nos dois modais para acomodar o fluxo de pessoas. “A cidade tenta retomar seu ritmo após o choque”, disseram as autoridades.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

