O Ministério da Saúde enviou neste sábado (8) uma equipe de especialistas da Força Nacional do SUS ao município de Rio Bonito do Iguaçu (PR), que se tornou o epicentro de uma tragédia após a passagem de um tornado de grande intensidade. O evento climático extremo causou a destruição de cerca de 90% da zona urbana da cidade e resultou na morte de, ao menos, cinco pessoas. A rápida mobilização visa garantir assistência emergencial e coordenar a reativação dos serviços de saúde no local.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, integra a comitiva do governo federal que se deslocou ao estado. A missão da equipe é tripla: avaliar a real extensão dos danos à infraestrutura de saúde, prestar assistência emergencial direta à população e coordenar ações conjuntas de resposta com o governo do Paraná e a Defesa Civil Nacional.

A equipe especializada enviada é composta por cinco profissionais-chave. Entre eles, destacam-se um especialista em saúde mental em desastres, essencial para lidar com o trauma coletivo; um médico sanitarista; um enfermeiro; um analista de recursos logísticos, para gerenciar suprimentos; e um analista de incidentes e reconstrução assistencial, focado na recuperação estrutural. A atuação dos profissionais será crucial para a reativação dos serviços de saúde, no apoio à gestão local e na resposta assistencial e psicossocial imediata, garantindo a retomada segura e rápida do atendimento integral à população afetada.

Entre as primeiras ações previstas e já em curso estão a triagem e estabilização rápida dos feridos, a reorganização dos fluxos assistenciais e farmacêuticos para evitar a interrupção do tratamento e a avaliação de riscos sanitários secundários, que são críticos após desastres. Tais riscos incluem os relacionados à qualidade da água, ao manejo adequado de resíduos e ao controle de vetores, como insetos e roedores. Além do cuidado físico, será oferecido apoio psicológico intensivo aos moradores atingidos, reconhecendo o profundo impacto emocional da tragédia.

De acordo com o Ministério da Saúde, caso a situação local ultrapasse a capacidade de resposta das estruturas remanescentes, a Força Nacional do SUS está preparada para instalar um hospital de campanha modular. Essa unidade móvel tem capacidade para realizar até 150 atendimentos diários e será montada em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, oferecendo uma solução robusta em meio ao colapso.

Com a destruição de boa parte das unidades de saúde locais e o colapso parcial no fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água, os atendimentos de urgência em Rio Bonito do Iguaçu foram remanejados de forma emergencial. O Hospital Regional de Laranjeiras do Sul atua, provisoriamente, como unidade de referência para toda a região atingida. Há relatos de que as Unidades Básicas de Saúde da zona rural permanecem parcialmente inoperantes, e foi identificada a escassez de medicamentos e vacinas devido ao comprometimento dos estoques locais, o que torna a intervenção federal ainda mais urgente.

“Chegamos ao Paraná com a missão de cuidar, reconstruir e trazer afeto à população que mais precisa neste momento. Nossa prioridade é garantir que cada pessoa atingida receba atenção em saúde, escuta e acolhimento. Atuaremos ao lado do governo do estado e do município para restabelecer o funcionamento da rede de saúde e devolver um pouco de segurança e esperança às famílias de Rio Bonito do Iguaçu”, afirmou Rodrigo Stabeli, coordenador da Força Nacional do SUS, em nota oficial, destacando o viés humanitário da missão.

De acordo com dados consolidados da Defesa Civil do Paraná e do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), o estado registrou um total de 55 municípios impactados por tempestades nas últimas 48 horas, afetando mais de 31 mil pessoas. Em Rio Bonito do Iguaçu, no entanto, a tragédia foi a mais severa: 10 mil moradores – o equivalente a 77% da população da cidade – foram diretamente atingidos, com cinco mortes confirmadas, 125 feridos e mais de mil pessoas desalojadas de suas residências.

Fotos: Ivan Matos/MS


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