A Financiadora de Estudos e Projetos anunciou um pacote de investimentos voltado ao fortalecimento da agricultura familiar no Brasil, com recursos que somam R$ 74,9 milhões. A iniciativa inclui um edital para o desenvolvimento de máquinas agrícolas de baixo custo e duas parcerias institucionais destinadas a ampliar a pesquisa aplicada e o acesso ao crédito por cooperativas do setor.
Os recursos anunciados são não reembolsáveis e têm origem no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Segundo a Finep, o objetivo central é estimular a inovação tecnológica direcionada às necessidades do pequeno produtor, ampliando a produtividade e reduzindo desigualdades regionais no acesso a equipamentos e financiamento.
O principal eixo do pacote é um edital no valor de R$ 60 milhões para a formação de um consórcio de empresas responsável pelo desenvolvimento de um trator de pequeno porte, com potência entre quinze e dezoito cavalos. Além do equipamento principal, o projeto prevê a criação de pelo menos seis implementos agrícolas compatíveis, todos com produção nacional e custo final reduzido.
O edital estabelece critérios de pontuação adicional para propostas que envolvam cooperativas, Instituições Científicas e Tecnológicas e investimentos concentrados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A intenção é estimular soluções adaptadas às realidades locais e ampliar a interiorização do desenvolvimento tecnológico.
Os anúncios ocorreram durante a primeira reunião do Conselho Consultivo do Programa Mais Alimentos, que reuniu representantes de diferentes áreas da administração pública e do setor de inovação. Estiveram presentes a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, além de dirigentes da Finep e de outros ministérios ligados à política industrial.
Para o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a iniciativa demonstra a capacidade de induzir inovação com impacto direto na produção. “É uma demonstração da capacidade de induzir a inovação para chegar à ponta e melhorar a produtividade”, afirmou durante o encontro.
Outro anúncio foi a parceria no valor de R$ 14,9 milhões com o Instituto de Pesquisa e Educação do Campo, voltada à estruturação de uma rede nacional de pesquisa dedicada ao desenvolvimento de máquinas agrícolas e bioinsumos adequados às diferentes regiões do país. A iniciativa busca atender demandas históricas dos movimentos sociais do campo e ampliar a base científica nacional.
A terceira frente envolve um Acordo de Cooperação Técnica com a União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias, que representa cerca de oitocentas mil famílias. O acordo pretende facilitar o acesso das cooperativas às linhas de financiamento da Finep, possibilidade aberta após a modernização da legislação do FNDCT.
Para Luciana Santos, os anúncios mostram como ciência e tecnologia podem dialogar com políticas sociais. Já Paulo Teixeira avaliou que o pacote representa uma “mudança de paradigma” ao reduzir a penosidade do trabalho rural e tornar a atividade mais atrativa para jovens.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

