A greve dos petroleiros da Petrobras chegou ao terceiro dia nesta quarta-feira e segue com adesão expressiva em unidades estratégicas da companhia. Segundo a Federação Única dos Petroleiros, o movimento alcançou cem por cento de participação no sistema Petrobras nas vinte e oito plataformas localizadas na Bacia de Campos, na costa do Rio de Janeiro, um dos principais polos de produção do país.
De acordo com a federação, nessas plataformas há não apenas empregados diretos da Petrobras, mas também grande presença de trabalhadores de empresas terceirizadas, o que amplia o impacto do movimento paredista. A FUP informou ainda que trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, aderiram à paralisação, elevando para nove o número total de refinarias com atividades afetadas pela greve.
Na véspera, o balanço apontava adesão em vinte e quatro plataformas e nove refinarias. Com a atualização desta quarta-feira, o cenário monitorado pela FUP indica paralisação em nove refinarias, vinte e oito plataformas, treze unidades da Transpetro, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel, campos de produção terrestre na Bahia, a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas, a Estação de Compressão de Paulínia e a sede administrativa da companhia em Natal.
A greve teve início na segunda-feira e apresenta como principais reivindicações melhorias no plano de cargos e salários, uma solução para os Planos de Equacionamento de Déficit da Petros, fundo de pensão dos trabalhadores, além da defesa da pauta Brasil Soberano. Essa pauta, segundo a federação, defende a manutenção da Petrobras como empresa pública e um modelo de negócios voltado ao fortalecimento da estatal.
Em nota, a Petrobras informou que equipes de contingência estão mobilizadas para garantir a continuidade das operações. Segundo a empresa, até o momento não há registro de impactos na produção nem no abastecimento ao mercado interno. “Até o momento, não houve impacto na produção, e o abastecimento ao mercado segue garantido, sem alterações”, informou a companhia.
A Petrobras acrescentou que respeita o direito de manifestação dos empregados e que permanece aberta ao diálogo com as entidades sindicais, buscando uma solução negociada para o impasse. A empresa destacou ainda que mantém acompanhamento permanente da situação.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam que a Petrobras responde, sozinha ou em consórcios, por cerca de noventa por cento da produção nacional de petróleo e gás natural, o que reforça a relevância do movimento para o setor energético.
Foto: Divulgação/Petrobras

