O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PL-MG), defendeu nesta quinta-feira a prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 60 dias. Ele argumenta que o prazo atualmente previsto até março de 2026 não é suficiente para examinar o volume de documentos já recebidos e para ouvir todos os depoentes considerados essenciais ao esclarecimento do caso. A manifestação ocorreu após a Polícia Federal deflagrar nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema nacional de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.

Diante da dimensão nacional e da profundidade desse esquema, afirmo que é absolutamente indispensável a prorrogação da CPMI por mais 60 dias. Somente assim será possível aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir justiça plena às vítimas”, declarou o senador, em nota divulgada após a operação.

Segundo Viana, a intenção é iniciar a coleta de assinaturas a partir de janeiro, com o objetivo de formalizar pedido de prorrogação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável por analisar a solicitação no início do próximo período legislativo. Para ele, a complexidade do caso exige tempo adicional para cruzamento de dados, análise técnica e responsabilização de todos os envolvidos.

Na operação realizada nesta quinta-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Weverton Rocha e contra o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal. O dirigente, que já havia atuado no gabinete do parlamentar em 2019, foi afastado do cargo e se tornou alvo de medida cautelar de prisão domiciliar, conforme decisão judicial.

A Polícia Federal chegou a solicitar a prisão do senador, sob a alegação de que ele exerceria papel central na sustentação financeira do esquema liderado por Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O pedido, entretanto, foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator do inquérito que tramita na Corte.

Em manifestação pública, Rocha afirmou que “recebeu com surpresa a busca realizada em sua residência” e declarou que “se coloca à disposição para prestar esclarecimentos assim que tiver acesso integral à decisão judicial”.

Sem citar nomes, Carlos Viana avaliou que os desdobramentos da operação reforçam que a CPI segue no caminho correto. “A prisão do número dois da Previdência confirma que a comissão estava certa e revela uma realidade alarmante. A Previdência do povo brasileiro permanece vulnerável, inclusive em seus níveis mais elevados”, afirmou.

Por fim, o senador disse atuar em sintonia com a condução constitucional do ministro Mendonça.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado


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