O setor financeiro brasileiro voltou a manifestar apoio público ao Banco Central após a decisão do Tribunal de Contas da União de abrir uma inspeção para avaliar a atuação da autoridade monetária no processo de liquidação do Banco Master. A reação veio por meio de uma nota conjunta assinada por onze entidades representativas de bancos, fintechs e cooperativas de crédito, que reafirmam confiança nas decisões técnicas adotadas pelo órgão regulador.

No comunicado, as entidades destacam “plena confiança” na atuação do Banco Central, tanto no campo regulatório quanto no âmbito da fiscalização. O texto também ressalta a necessidade de preservar a independência institucional da autarquia, considerada essencial para a manutenção de um sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro, capaz de enfrentar crises sem comprometer a estabilidade econômica.

“O Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante”, afirma a nota, que evita mencionar diretamente o Tribunal de Contas da União, mas deixa clara a defesa da autoridade monetária diante dos questionamentos recentes.

Entre os signatários estão a Confederação Nacional das Instituições Financeiras, a Federação Brasileira de Bancos e a Zetta, que reúne as principais fintechs do país. Juntas, essas entidades representam um universo de 757 instituições financeiras, 689 cooperativas de crédito e 15 associações setoriais vinculadas à confederação.

A manifestação é interpretada no mercado como mais um gesto de chancela política e institucional ao Banco Central, em meio às controvérsias jurídicas envolvendo a liquidação do Banco Master. O tema tem gerado debates sobre os limites da atuação dos órgãos de controle e a autonomia técnica da autoridade monetária.

Na última semana do ano passado, associações do setor já haviam se posicionado de forma semelhante, após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinar a realização de uma acareação relacionada ao caso. Para o setor financeiro, a previsibilidade regulatória e o respeito às decisões técnicas do Banco Central são fatores centrais para a confiança dos agentes econômicos e para o funcionamento regular do sistema de crédito no país.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


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