Com a decisão do ministro Ricardo Lewandowski de deixar o comando do Ministério da Justiça, passou a ganhar força nos bastidores do Palácio do Planalto o nome do advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, como um dos principais cotados para assumir a pasta. Ex-secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, ele é descrito por auxiliares presidenciais como um quadro de absoluta confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lima e Silva ocupou a Secretaria de Assuntos Jurídicos entre janeiro de 2023 e agosto de 2024. No cargo, era responsável pela análise e elaboração de decretos, portarias e projetos de lei do Executivo, além de despachar com frequência quase diária com Lula. A função lhe garantiu acesso direto ao núcleo decisório do governo e ampliou sua influência interna.
Com trânsito consolidado entre integrantes do alto escalão, como o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e apoiado por aliados históricos do presidente, a exemplo do senador Jaques Wagner, o ex-chefe da SAJ também chegou a ser lembrado recentemente para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A cadeira foi aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas Lula optou por indicar o então advogado-geral da União, Jorge Messias.
Em 2016, durante o governo Dilma Rousseff, Lima e Silva chegou a ser nomeado ministro da Justiça, mas permaneceu apenas 11 dias no cargo. À época, o Supremo Tribunal Federal barrou sua nomeação por entender que ele precisava se exonerar previamente do Ministério Público da Bahia, instituição da qual fazia parte. Esse episódio ainda é lembrado por uma ala do Planalto, que avalia com cautela sua eventual escolha, sobretudo por enxergar nele um perfil mais técnico do que político, característica considerada sensível em ano eleitoral.
Além do nome de Lima e Silva, outros quadros são mencionados como possíveis sucessores de Lewandowski. Entre eles estão o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Vinícius Marques de Carvalho, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o senador Rodrigo Pacheco. Também circula entre aliados do governo o nome do advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado ao grupo Prerrogativas.
Apesar da movimentação nos bastidores, aliados próximos de Lula afirmam que o presidente ainda não iniciou discussões formais sobre a sucessão. A avaliação predominante é de que o chefe do Executivo tenta convencer Lewandowski a permanecer no cargo pelo menos até o fim de janeiro, o que lhe daria mais tempo para definir o futuro do ministério.
Outro fator que pesa no calendário presidencial é a possível saída do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o que exigiria uma reorganização mais ampla da Esplanada. Caso Lewandowski opte por sair de forma imediata, a tendência é que o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Castro conduza uma transição temporária.
Por fim, auxiliares destacam que Lula também pretende dividir a atual pasta e recriar o Ministério da Segurança Pública, mudança que dependerá da aprovação da PEC da Segurança pelo Congresso Nacional, hoje em debate na Câmara dos Deputados.
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