O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira que uma eventual imposição de sanções dos Estados Unidos ao Irã, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, não deve provocar impactos relevantes sobre a economia brasileira. Segundo ele, o grau de relação comercial entre Brasil e Irã é reduzido, o que limita eventuais efeitos indiretos.

Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem cerca de cem milhões de pessoas e a maioria dos países do mundo mantém algum tipo de relação comercial com eles. No caso do Brasil, nossa relação comercial com o Irã é pequena”, afirmou o ministro durante entrevista a emissoras de rádio.

Alckmin avaliou que a aplicação de uma política de sobretaxação ampla seria de difícil execução prática. “A questão da super tarifação é difícil de ser aplicada. Para isso, seria necessário atingir mais de setenta países, inclusive países europeus, que mantêm comércio regular com o Irã”, acrescentou.

As declarações foram feitas durante participação no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação. Na entrevista, o vice-presidente ressaltou que, até o momento, não há medida concreta formalizada pelo governo norte-americano.

“Não houve nenhuma ordem executiva impondo efetivamente essa sanção. Esperamos que ela não seja aplicada. Imposto de exportação é um imposto regulatório, tem outra lógica, e isso teria reflexos no comércio mundial”, explicou.

O ministro citou ainda que países europeus seguem mantendo exportações para o Irã. “A Europa também exporta para o Irã. A Alemanha e muitos outros países têm comércio exterior com eles. Vamos torcer e trabalhar para que isso não ocorra”, declarou.

Alckmin destacou que o Brasil não mantém litígios internacionais relevantes e adota postura diplomática voltada à solução pacífica de conflitos. “O Brasil não tem conflito com ninguém. Nossa última guerra tem mais de um século. Somos um país de paz e sempre atuamos promovendo o diálogo”, afirmou.

Para ele, o atual cenário geopolítico é desafiador, mas também amplia o espaço de atuação diplomática brasileira. “É um momento difícil para o mundo e um momento em que o Brasil pode ser mais ouvido”, avaliou.

O vice-presidente concluiu defendendo a promoção da paz e do multilateralismo. “Queremos fortalecer o multilateralismo, gerar emprego, melhorar renda e qualidade de vida. Esse é o caminho que o Brasil está trilhando”, concluiu.

Foto: Valdenio Vieira / SEAUD-PR


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